0# CAPA 1.7.15

ISTO
edio  2378 | 01.Jul.2015

[descrio da imagem: foto em preto e branco do rosto do ex-presidente Lula. Mo direita apoiada no queixo, com o indicador tocando os lbios. Olhar srio, testa franzida.]
LULA PERDE O EIXO
Lula mostra desequilbrio e desespero no pior momento de sua histria.

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1# EDITORIAL
2# ENTREVISTA
3# COLUNISTAS
4# BRASIL
5# COMPORTAMENTO
6# MEDICINA E BEM-ESTAR
7# ECONOMIA E NEGCIOS
8# MUNDO
9# TECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE
10# ESPECIAL
11# CULTURA
12# A SEMANA
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1# EDITORIAL 1.7.15

"O SURTO CALCULADO DE LULA"
Carlos Jos Marques, diretor editorial 

Foi estabelecido um novo maniquesmo no poder. Hoje os aliados tem que escolher se esto com Lula ou com Dilma. A questo posta para eles parece ser a seguinte: ou voc  governo ou  PT. As duas coisas no d mais! Parece brincadeira, mas o clima de desavena explcita dominou o ambiente desde que se tornaram pblicos os ltimos destemperos verbais de Lula. Nas suas palavras, a chefe da Nao  mentirosa, est (como ele) no volume morto e faz tudo errado. Criador e criatura no se reconhecem mais. A DR entre eles j vem de algum tempo, mas atingiu decibis acima do esperado. E, muito provavelmente, o desencanto que um acalenta contra o outro esteja ligado  queda acentuada de popularidade de ambos. Lula viu suas chances de retorno ao poder minguarem diante do evidente fracasso de gesto de sua escolhida e das ameaas de investigao por responsabilidade nos desvios apurados pela operao Lava Jato. Dilma, por sua vez, comea a perceber que as chances de seu governo terminar ficam cada vez mais dependentes de uma ruptura tcita com os petistas. Nesse contexto, das profundezas do lamaal de escndalos sem fim surge uma nova e aguerrida oposio. Comandada por ningum menos  imagine s! - que o ex-presidente Lula, lder inconteste dos petistas e mentor da celebrada me do PAC, conduzida ali atrs diretamente por suas mos ao ministrio e, depois, ao posto mximo da Repblica. Obviamente que a ideia de descolamento entre eles, ou o movimento encenado para que isso acontea, no fica de p nem por um minuto. Os dois podem at no comungar mais dos mesmos ideais, porm esto indissoluvelmente ligados pela adoo em comum acordo de prticas deletrias como o aparelhamento do Estado em larga escala, o fisiologismo crnico e imoral do toma l d c  que acabou por gerar o Mensalo e o Petrolo - e as barbeiragens oramentrias para produzir factoides populistas. Lula, com o seu surto calculado da semana passada, quis se distanciar na verdade de tudo e de todos. Se converter numa espcie de observador indignado com tamanho apodrecimento do sistema. Desde que esteve no poder, e at hoje, o ex-presidente recorre ao pssimo hbito de jogar a culpa nos outros por algo que tem notoriamente a sua marca. Manobra risvel. Foi assim mais uma vez quando se referiu no apenas a Dilma como tambm ao partido que ele mesmo criou e comanda. Contra o PT disparou inclemente: hoje s pensa em cargo, em emprego, em ser eleito. Ningum trabalha mais de graa. E quem exatamente estimulou isso?  fato que Lula quer preparar uma sada estratgica para se lanar em 2018. No salve-se quem puder que virou o governo e o seu partido, ele imagina ser uma terceira via dele mesmo e de suas criaes. Continua a apostar muito na ausncia de memria do brasileiro e na crena de que  invulnervel. Falta-lhe autocrtica.  
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2# ENTREVISTA 1.7.15

MARINA DE BOURBON, DA FRANA - "NO  FCIL SER PRINCESA NUM PAS ONDE UMA RAINHA FOI DECAPITADA"
A integrante da realeza critica o presidente da Frana, diz que a monarquia  coisa do passado e afirma ter conhecido Dilma pelo Google h oito dias
por Gisele Vitria 

COMPARAO - "A monarquia da Inglaterra  completamente diferente", diz a princesa Marina

A princesa Marina de Bourbon gosta de usar um colar de prolas diferente para cada recepo a que comparece. Nos anos 50 e 60, ela viveu seus ureos tempos entre Paris e Saint Tropez ao lado do marido, o prncipe Andr de Bourbon Parme (1928 -2011), descendente dos Bourbon, uma das famlias mais tradicionais da Frana. Os Bourbon reinaram entre o final do sculo XVI e o incio do sculo XIX, com exceo de perodos como o governado por Napoleo Bonaparte.

"No gosto nem um pouco do presidente Franois Holland. Ele s diz mentiras, no sabe se comportar e tem um monte de namoradas"

Residente em Roinville, a uma hora de Paris, a aristocrata s vai a capital francesa por causa de sua boutique de presentes, com nome homnimo. Aos 80 anos, Marina de Boubon  uma princesa sem papas na lngua, com toda elegncia e cordialidade. Ela passou por So Paulo para comemorar os 20 anos da marca de seu perfume, Princess Marina de Bourbon. Na passagem pela capital paulista, visitou a Fundao Gol de Letra, do ex-jogador Ra, que adorou conhecer. Sem aparentar oito dcadas de vida, Marina disse que o segredo de sua jovialidade  o bom humor. Acima de tudo, sou uma pessoa feliz, corro para longe de tudo o que  ruim e me deixa aborrecida, diz. Felicidade  o meu segredo. 

"Tambm conheci Picasso. No, ele no flertou comigo. Acho que teve medo (risos)"

Isto - Como a sra. v a Frana hoje?

Marina de Bourbon, da Frana - Estou sempre esperando o melhor. Porque no pode ser pior. Acho que o momento econmico mais grave na Europa est superado. Temos que mentalizar. 

Isto - Qual a opinio da sra. sobre o presidente Franois Holland?

Marina de Bourbon, da Frana - No gosto nem um pouco dele. Ele s diz mentiras. No  uma pessoa que fale a verdade. Na vida voc no pode mentir. Tem que ser uma pessoa clara, espontnea e natural. E ele no  nada disso.

Isto - Houve algum episdio que sedimentou essa opinio?

Marina de Bourbon, da Frana - Ele no tem respeito pelas pessoas em volta dele. No sabe se comportar. No tem a postura que um presidente e um poltico deveria ter. Na frente na rainha da Inglaterra, ele se sentou. E ele tem um monte de namoradas aqui e ali. Isso  vergonhoso. Se separou e parece que est agora voltando para a primeira mulher. Ele no  srio. Ele no  simples.  manipulador. Nada  verdadeiro em volta dele. No  possvel dirigir um pas tendo esse posicionamento. 

Isto - A sra. aposta numa eventual volta do ex-presidente Sarkozy?

Marina de Bourbon, da Frana - Ele acha que vai voltar, mas eu acho que no. Por que o que ficou do seu legado  como se ele tivesse enganado a populao. Ento acho que Sarkozy no ser eleito novamente. 

Isto - E Carla Bruni?

Marina de Bourbon, da Frana -  muito bela. Sim, ela era a melhor coisa do governo Sarkozy. Ele largou de uma outra para casar com ela. Como todos os homens. 

Isto - Qual ento  o presidente dos seus sonhos?

Marina de Bourbon, da Frana - Eu espero que ele aparea. Ele ainda no se apresentou. Eu gostaria, para o futuro, que tivssemos uma pessoa jovem na presidncia.

Isto - A sra.  princesa na Frana, bero da Repblica, ps-revoluo francesa. Como v a monarquia como sistema de governo? 

Marina de Bourbon, da Frana -  muito demod. No  mais moderno. Hoje a monarquia precisaria de muito dinheiro e no poderia sair por a pegando dinheiro dos outros para voltar novamente ao poder. A monarquia j passou. Cada um deve viver a sua poca.

Isto - E como a sra. avalia a monarquia inglesa e os 89 anos da rainha Elizabeth?

Marina de Bourbon, da Frana - A monarquia na Inglaterra  completamente diferente. L nunca cortaram a cabea de uma rainha. No  fcil ser princesa ou fazer parte da monarquia num pas onde uma rainha foi decapitada. Ento o dia em que cortarem a cabea de uma rainha l, como na Frana, pode ser que eles pensem diferente. Mas monarquia na Inglaterra  bem interessante. Por favor, tome cuidado, no sugeri cortar nenhuma cabea na Inglaterra. (risos)

Isto - Na monarquia inglesa de fato nunca houve nenhuma cabea cortada,  mas a histria recente da famlia real inglesa sempre foi empolgante e polmica. Como observa o momento de calmaria, com o Prncipe William e Kate Middleton tendo seus bebs? 

Marina de Bourbon, da Frana - Acho os ingleses muito educados. E eles se respeitam. A famlia se defende. Eles esto numa boa fase. O Prncipe George chegou, Charlotte chegou. Isso traz uma atmosfera de moralidade. E a jovem famlia real britnica  moderna. Gosto do jeito como a esposa do Prncipe William (Kate Middleton) se movimenta. Faz coisas. Ela  tnica. Eles esto dentro do contexto de uma poca.

Isto - H uma nova era de plebias se tornando princesas, com Kate Midletton. Para a senhora, como foi passar de plebia a princesa nos anos 50?

Marina de Bourbon, da Frana - Para mim foi tudo bem porque a minha sogra me adorava. Foi tranqila a minha transio e mesmo a aceitao ao fato de eu no pertencer  realeza. Minha sogra era francesa, mas descendia da famlia real da Dinamarca. E todas as coroas escandinavas so muito modernas. Havia uma aceitao muito melhor aos plebeus do que em outras coroas. Meu marido era tambm prncipe da Dinamarca porque herdou o ttulo da me dele.

Isto - Diana foi uma princesa que sofreu com a sogra. Como a senhora a enxergava?

Marina de Bourbon, da Frana - Acho que a rainha amava demais o filho. E por isso, talvez, no conseguia amar a nora. Diana no foi amada ao nvel que deveria ter sido, pelo tipo de pessoa que ela era.

Isto - A sra. conhece um pouco sobre a poltica brasileira e a presidente Dilma?

Marina de Bourbon, da Frana - No. Tem tanta coisa bonita no Brasil que poltica para mim no faz diferena. Descobri h oito dias que o Pas tinha uma presidente mulher. Pesquisei na internet antes de viajar. Como no vinha h 10 anos, quis me informar um pouquinho. Sabia que Lula era um autodidata. 

Isto - Quando volta ao Brasil?

Marina de Bourbon, da Frana - Volto ao Brasil no lanamento do meu prximo perfume. Sigo as fragrncias. 

Isto - Tem filhos?

Marina de Bourbon, da Frana - Duas filhas e um filho. Minha filha mais velha  designer. Desenha louas. Minha outra filha antes trabalhava, agora no mais. E meu filho trabalha com vinhos e licores. E tenho seis netos, cinco meninas e um adorvel menino. Tem 18 anos e  fotgrafo. Tenho uma neta de 10 anos, que ama perfumes e quer ser cantora.

Isto - Conheceu Ra? 

Marina de Bourbon, da Frana - Tudo  bom nele. As mos deles so perfeitas. A voz dele. Ele  excepcional. E as coisas que ele faz so espetaculares. E  lindo! No lembrava dele jogando na Frana. Agora vou comear a ver mais futebol.

Isto - Do que gosta?

Marina de Bourbon, da Frana - Gosto muito de dana. Danava at 16 anos. No era bal. No passei na prova do conservatrio. 

Isto - Conheceu o artista e escritor surrealista Jean Cocteau?

Marina de Bourbon, da Frana - ramos amigos. Ele emprestou sua capela na Frana para o meu casamento. Nunca ningum havia se casado ali, na beira da praia, na Riviera Francesa. Ele tambm a decorou. Era uma capela de pescadores. 

Isto - Como nasceu essa amizade?

Marina de Bourbon, da Frana - Nos conhecemos em um jantar. Eu ainda era solteira. 

Isto - Como a sra. conheceu seu marido?

Marina de Bourbon, da Frana - Em St. Tropez. Nos olhamos na praia e de noite fomos danar. Da para frente no nos separamos mais. Ficamos casados 50 anos. Quando nos conhecemos, eu andava de scooter. E tinha que voltar para Paris no dia seguinte, para  abrir minha loja de decorao. Dois dias depois, ele estava na porta da minha loja. Eu no sabia que ele era prncipe! 

Isto - Qual foi sua reao?

Marina de Bourbon, da Frana - Ele me falou que a nica opinio que importava sobre o casamento era a da me. Se ela dissesse no, ele no casaria. Mas a princesa (Margreth da Dinamarca) aprovou. 

Isto - O que seus pais faziam?

Marina de Bourbon, da Frana - Meu pai era militar. Minha me tinha uma perfumaria.

Isto - Qual foi a reao dos seus pais?

Marina de Bourbon, da Frana - Meu pai disse: Mas ele fuma e no fez o servio militar. Meus pais eram divorciados e minha me  se casou novamente com um jogador de rugby basco. 

Isto - Sua famlia era rica?

Marina de Bourbon, da Frana - Muito burgueses.

Isto - Antes de conhecer o prncipe, a sra. era muito namoradeira?

Marina de Bourbon, da Frana - Um pouquinho. Trocava muito rpido. Tenho muitas lembranas disso. No vou dizer os nomes, mas todos j morreram. Quando vou dormir, costumo contar os amigos que j morreram. 

Isto - Houve algum protocolo para sua aprovao como princesa?

Marina de Bourbon, da Frana - Os Bourbons se juntaram no Plaza Atenn em Paris. Eu e Andr estvamos numa sute e a famlia toda na outra sute reunida para aprovar o casamento. Meu marido dizia: se eles no aprovarem, no casamos e ficamos juntos. Mas um membro da famlia foi nos comunicar que estava aprovado. 

Isto - O que  melhor em ser princesa?

Marina de Bourbon, da Frana - Uma das melhores coisas  estar sempre ao lado do anfitrio. Mas ser princesa, podendo trabalhar,  muito importante para mim. Trabalho desde os 18 anos. Se eu fosse uma princesa de antigamente no poderia fazer isso.

Isto - E o lado difcil?

Marina de Bourbon, da Frana - Tenho que estar sempre  altura do que as pessoas esperam de mim. Nunca posso decepcionar.

Isto - Teve outros amigos notveis?

Marina de Bourbon, da Frana - Conheci Simone de Beauvoir, por exemplo. Ela falava tudo francamente e por isso era interessante. Mas s falava dela e das mulheres em geral. Tambm conheci Picasso.

Isto - Ele no flertou com a sra.?

Marina de Bourbon, da Frana - No. Acho que teve medo. (risos)
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3# COLUNISTAS 1.7.15

     3#1 RICARDO BOECHAT
     3#2 LEONARDO ATTUCH - NO DOEM MAIS, EMPRESRIOS!
     3#3 3#3 GISELE VITRIA
     3#4 BRASIL CONFIDENCIAL
     3#5 MRIO SIMAS FILHO - FALTA DE CREDIBILIDADE, O MAIOR PROBLEMA DE DILMA E DO PT

3#1 RICARDO BOECHAT
Com Ronaldo Herdy 

Porta estreita
O Superior Tribunal Militar vai ter que dar marcha--r. A norma interna que passou a exigir quatro votos - e no um - em processos de admisso de embargos infringentes foi considerada ilegal pelo STF. O recurso  exclusivo da defesa. Surpreso com a elevao, no plenrio o ministro Marco Aurlio desabafou: Quero crer que foi descuido do STM. Quero crer.

Amianto
 Contra o p
 Foi de R$ 1 milho a condenao unnime imposta pelo TST a Rpido 900 Transportes na semana passada, ao julgar processo em que a empresa manipulou amianto branco no Estado de So Paulo, sem os cuidados previstos na legislao federal. S entre junho de 2009 e fevereiro de 2010, os fiscais do TRT deram trs flagrantes na Rpido 900, o que gerou a ao civil pblica por dano moral.

Medicina
 Com limites
  comum o paciente se assustar ao ver estudantes de medicina nos corredores dos hospitais de ensino. O que eles podem fazer? Um parecer que o Conselho Federal de Medicina acaba de editar estabelece limites como acesso venoso, drenagem de trax e entubao, sempre com a superviso de um mdico professor. Em caso de falha  o mestre que responder legalmente na Justia e nos conselhos regionais da classe.

Publicidade
 Falta equilbrio
 Durante o festival de publicidade de Cannes, que terminou no sbado 27, executivos do setor muito discutiram a sobrevivncia do negcio, espremido entre a comunicao on line e a severa atitude restritiva pelos anunciantes, na hora de abrir o caixa. As estruturas continuam desproporcionalmente cobertas pelos padres impostos pelos clientes, que a cada dia exigem mais e pagam menos.

Cultura
 Barroco na Itlia
 O barroco brasileiro ser exibido em Roma em 2016, dois anos aps mais de 100 obras-primas do Museu do Vaticano e de outras instituies italianas terem sido expostas no Rio de Janeiro, por ocasio da Jornada Mundial da Juventude. O trabalho de montagem da grande mostra ter a curadoria do ex-diretor do Masp, Fbio Magalhes, com apoio da colecionadora e pesquisadora mineira Angela Gutierrez. No Museu do Vaticano estaro trs franciscos - Antnio Francisco Lisboa (Aleijadinho), Francisco Xavier de Brito (neto do mestre) e Francisco Vieira Servas (escultor e entalhador).

Aposentados
 Vapt-vupt
 O combate s fraudes contra a previdncia social ganhou um aliado. Acaba de ser criado no Brasil dispositivo que permite autenticar se um aposentado est vivo sem que ele v a uma agncia bancria, como exige o governo. O aplicativo da Montreal funciona em smartphone ou telefone fixo. Sua implantao, contudo, depende de negociaes entre a empresa, os bancos e o INSS.

Brasil
 Terceiro olhar
 Presidente do Instituto Data Popular, Renato Meirelles tem dado cartas no Planalto, em aes que visam aproximar o governo das classes C, D e E. Por exemplo, participou da estratgia de comunicao do Programa de Investimentos em Logstica e do lanamento do Plano Agrcola e Pecurio 2015-2016. Como h pouco foram contratados pela Presidncia da Repblica para tarefas semelhantes o Ibope e o Instituto Virtu Anlise e Estratgia, o tititi em Braslia  quem afinal pagar o Data Popular, j que ningum trabalha de graa, muito menos para o governo.

HSBC
 Pelo emprego
 As negociaes em torno da venda do HSBC ter como palco o Conselho Administrativo de Defesa Econmica na tera-feira 30. Polticos e representantes sindicais pediro ao rgo uma clusula que garanta a manuteno de empregos na instituio, semelhante ao que ocorreu na fuso da Sadia com a Perdigo e surgiu a BRF, em 2011. A vice-prefeita de Curitiba, Mirian Gonalves, levar a reunio dossi sobre como o HSBC usou recursos do Proer para comprar o Bamerindus, no esforo de sensibilizar o Cade, onde a negociao ser julgada.

Poltica
 Salada mista
 A declarao polmica, mas verdadeira,  de autoria de Michel Temer. Para o vice-presidente, partidos com identidade prpria o Brasil teve com a Arena e o MDB. Estatutos bem distintos atraiam polticos aos programas partidrios. Nada de apologia ao Regime Militar, ressalta Temer, mas as quase 40 legendas atuais tm programas to parecidos  so contra a pena de morte e a favor da democracia, por exemplo  que o eleitor acaba votando no candidato e no no partido. Nesse contexto, reforma poltica profunda  utopia.

Tribunais
 Trio de ouro
 Com base em levantamentos feitos pelo Conselho Nacional de Justia, o Instituto Brasiliense de Direito Pblico, que tem como scio o ministro do STF Gilmar Mendes, anunciar na segunda-feira 29, quais os tribunais mais eficientes do Brasil. Para quem no suporta esperar, eis os premiados: na Justia Comum, o TJ do Rio Grande do Sul; na Justia do Trabalho, o TRT de MG e na Justia Federal, o TRF da 5 Regio, com sede em Recife. Um estudo que ser divulgado na ocasio mostrar que investir em informatizao no acelera a tramitao de processos. A gesto tambm  fundamental.

Judicirio
 Aqui e l 
 A similaridade entre o direito processual do Brasil e da Itlia nunca ficouto patente como agora, na sucesso de recursos que envolvem o ex-diretor doBB, Henrique Pizzolato, condenado a 12 anos e sete meses de priso noBrasil, por corrupo passiva, peculato e lavagem de dinheiro. A Corte deBolonha negou a extradio. A Corte de Cassao de Roma reformou a deciso eautorizou a extradio. Na sequncia, o governo italiano autorizou a entrega do mesmo ao Brasil. Porm, o Tribunal Administrativo Regional suspendeu a extradio. Posteriormente, rejeitou o recurso da defesa e manteve a entrega. E, por fim, na semana passada, o Conselho de Estado suspendeu novamente a execuo da extradio.

Judicirio 1
 Por outro lado...
 Uma questo igual nos Estados Unidos teria soluo rpida. Um juiz de primeiro grau daria a deciso, cabendo no mximo um recurso.

Lava Jato (14)
 Com pressa
 Temendo a destruio de documentos relacionados  Odebrecht, um dos alvos da 14 fase da Lava Jato, a Polcia Federal apertou o cerco a Braskem, para entregar todas as mensagens de email da conta roberto.ramos@braskem.com.br. O objetivo  identificar suposto sobrepreo nas sondas negociadas com a Petrobras. Enquanto isso, em conversas sobre a operao, alguns banqueiros mostram preocupao com eventual ao policial sobre o BTG Pactual, um dos scios da Sete Brasil. Teme-se que isso possa trazer a Lava Jato para o mercado financeiro.

Sade Pblica
 Ptria educadora
 A Escola Nacional de Sade Pblica da Fiocruz cancelou o servio de publicao de artigos na editora BioMed Central (BMC). Alegou corte no oramento e a alta do dlar. A BMC  especializada em biologia e medicina, conhecida internacionalmente pelas centenas de peridicos que distribui.Desde 2010, a fundao bancava a publicao dos artigos dos alunos, considerando isso parte fundamental do trabalho acadmico. Agora, quem cursa mestrado e doutorado da ENSP, se quiser mostrar o contedo de suas pesquisas, ter que meter a mo no bolso.

Cultura
 Parceria renovada
 Depois de fazerem juntos, no teatro, o musical Al, Dolly! e de serem marido e mulher em P Na Cova, Marlia Pera e Miguel Falabella esto em vias de terem sua parceria renovada. Ele escreve uma srie de 12 episdios para ela estrelar. A atriz ser casada com um empreiteiro corrupto que, quando vai para cadeia, d um rumo inteiramente diferente  vida da personagem. Vem coisa boa por a. A produo tem estreia prevista para o segundo semestre de 2016.


3#2 LEONARDO ATTUCH - NO DOEM MAIS, EMPRESRIOS!
Quando nenhuma empresa puder financiar nenhum poltico, tudo ter mudado no Brasil.

Marcelo Odebrecht e Otvio Azevedo esto presos. Ambos presidem dois grandes conglomerados empresariais, os grupos Odebrecht e Andrade Gutierrez, que, por sua vez, so os principais doadores das campanhas polticas nacionais. Antes deles, outra leva de empreiteiros havia passado uma temporada em Curitiba. Em muitos casos, porque suas doaes registradas e legais passaram a ser interpretadas pela fora-tarefa que conduz a Lava Jato como propina, ou seja, como contrapartida por favores recebidos em contratos de estatais.

Essa tese ainda promete dar muito pano pra manga, ser amplamente debatida nos tribunais superiores, mas a frase emblemtica de Paulo Roberto Costa, dizendo que no h almoo grtis quando um empresrio financia determinado poltico ou partido, est gravada na memria. Por isso mesmo, ainda que a reforma poltica do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) tenha consagrado o financiamento privado de campanhas polticas e a ao da Ordem dos Advogados do Brasil contra doaes de empresas tenha sido engavetada pelo ministro Gilmar Mendes, ainda h uma esperana: a de que os prprios empresrios reajam e se levantem contra a farra vigente no Pas.

Entre os alvos da Lava Jato, j h exemplos de empresas que comeam a mudar seus estatutos para vedar toda e qualquer forma de apoio a partidos polticos ou candidatos. Se essa atitude vier a significar qualquer tipo de discriminao em processos concorrenciais, pacincia. Sempre haver espao, dentro da lei, para contestar licitaes dirigidas e cartelizadas. Caso essa postura seja seguida por todas as grandes empresas, o modelo atual implodir pela simples falta de doadores. E ningum imagine que os empresrios migraro do caixa um para o caixa dois  depois de Curitiba, o risco se tornou alto demais.

Entre a fora tarefa da Lava Jato, muitos demonstram bagagem terica e tambm o desejo latente de mudar o modelo poltico e empresarial brasileiro. O procurador Carlos Fernando Lima j manifestou crticas contra o capitalismo de compadrio que reina no Pas. O juiz Sergio Moro tambm afirmou, em suas decises, que o dinheiro privado no pode distorcer o sistema poltico-partidrio. 

Na teoria, ambos esto certos. No mundo real, no existe capitalismo puro em lugar nenhum do mundo e h sempre uma certa dose de influncia poltica nas decises empresariais, que gera essa mistura explosiva entre o pblico e o privado. Mas h uma medida capaz de aproximar a teoria da realidade: o fim das doaes privadas. Quando nenhuma empresa puder financiar nenhum poltico, tudo ter mudado no Pas.


3#3 GISELE VITRIA
Gisele Vitria  jornalista, diretora de ncleo das revistas ISTO Gente, ISTO Platinum e Menu e colunista de ISTO 	 

Faf 4.0
Paulo Borges, diretor do So Paulo Fashion Week, dirigir e far a concepo do show de 40 anos de carreira de Faf de Belm, que estria em 12 de agosto, em So Paulo. A foto de Fabio Bartelt, ao lado, para o novo disco j teve a sua mo. 

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 Paulo ainda conceber um DVD, um documentrio e um livro sobre a cantora. Resgataremos suas razes e traremos uma nova Faf, autntica, fresca e mais moderna, olhando para o futuro, diz o diretor do SPFW. Ele est tambm  frente de shows de Alice Caymmi e Carlinhos Brown. A msica entrou por acaso na minha vida, assim como a moda. 
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Nada de Hino Nacional, marca de Faf nas Diretas J, poltica ou religio. O show tem 10 canes inditas gravadas pela Joia Moderna, de Z Pedro, e 7 clssicos como Cavalgada e Seu Bilhete. 
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Faf vendeu 40 milhes de discos. J foi sinnimo de Fusca no Brasil, diz ele, que viu Faf cantar pela primeira vez aos 15 anos em sua terra, So Jos do Rio Preto (SP). A cantora est exultante: Meu queridssimo Paulo me devolveu a vontade de me deixar ser dirigida e ensaiar. Vi pela internet o show da Alice Caymmi e viajei! Vamos sonhar e voar".

A rainha voa com avio made in Brazil
Os laos da Rainha Elizabeth II com o Brasil esto pelos ares. O jatinho privado que tem transportado a rainha da Inglaterra  fabricado pela Embraer. Elizabeth e o Prncipe Phillip voaram na semana passada para a Alemanha num Embraer Legacy 600, com capacidade para 13 passageiros.

Balas
FHC em cruzeiro no mediterrneo 
 FHC viaja de frias e s volta no final de julho. Far um cruzeiro pelo Mar Mediterrneo com a mulher, Patrcia Kundrat, e casais amigos.

Design e gastronomia 
 O artista visual Kiko Sobrino foi escolhido para, ao lado da chef Carla Pernambuco, criar um prato artsy para a Chefs Table, nova foodie-srie da Netflix, que d  alta gastronomia o status de arte. Estavam na disputa artistas como OsGmeos e Nina pandolfo.

"Est na hora de  algum assumir" 
Nomeada pela presidente Dilma como presidente do Conselho Pblico Olmpico, que supervisiona os preparativos para os jogos de 2016 no Rio, Luiza Helena Trajano falou com exclusividade  coluna, em evento com 300 executivas do grupo Mulheres do Brasil. Pensei muito e aceitei. Nem avisei meus filhos porque eles iam ser contra. Assumi essa coordenao porque estava no momento em que eu tinha que assumir alguma coisa no Brasil, explicou a empresria, dona do Magazine Luiza. Nunca mais teremos a chance de mostrar uma abertura de Olimpada. Est maravilhosa, mas no posso contar. S eu t sabendo e mais trs pessoas., sorri Luiza. Eu falei para o Nuzman: To trabalhando demais, ento eu quero ver. Luiza j era vice-presidente do Conselho Rio 2016 h trs anos, comandado por Carlos Arhur Nuzman., presidente do Comit Olmpico Brasileiro. Vou acumular essa outra funo: vou ser presidente do Conselho Pblico Olmpico, que nada mais  do que juntar todo mundo para organizar as coisas.

ISTO  Por que decidiu aceitar o cargo de autoridade olmpica?
 Luiza Helena Trajano   um cargo que eu j estava fazendo de fato. De direito ia ser melhor. Faz trs anos que eu acompanho o cronograma. Estou no Comit Olmpico h 3 anos, como vice-presidente, gratuitamente. Sou voluntria. O Nuzman me procurou: Luiza, quero uma mulher no conselho e gostaria que voc fosse. E eu pensei: nunca mais vou viver uma experincia dessas. L, no tenho nada a ver com esporte, mas com a montagem da estrutura, com gesto.  uma coisa que no d para imaginar. Tem at a ambulncia do cavalo. O esporte  uma grande coisa para a educao do Pas.  o maior espetculo do mundo. E haver um legado. J temos 210 pases inscritos.  nessa estrutura que ajudo. Nem sabia que a Autoridade Pblica era importante assim, ligando os governos e o Comit Olmpico para fazer acontecer. Estava fazendo esse papel sem saber que existia.

ISTO  O que a sra. acredita que vai ser o maior desafio?
 Luiza  O que est mais difcil  a comunicao do que representa uma Olimpada, do que  o Rio 2016, do que  COB, do que  Autoridade Olmpica. Isso no tem nada a ver com verba. Vai custar R$ 8 bilhes a montagem das Olimpadas. E no tem um cruzeiro do governo. S que ningum sabe.  tudo patrocnio. As obras esto em dia, a gente j arrumou os patrocnios.

ISTO  As obras esto em dia?
 Luiza  Esto. O cronograma no  mal. Vamos fazer os primeiros testes. Londres teve mais problemas do que ns. No estou falando de Metro, de obras pblicas. No so obras do governo, foram prdios construdos pelas construtoras que venderam e o comit olmpico est pagando aluguel at 2017. Depois nos devolvemos e vai virar apartamento. Nunca houve um quarto para dois atletas. Tem outro legado, que vai ser uma escola.

ISTO  Como a sra. lidar com as dificuldades no ambiente em que o Brasil vive?
 Luiza  No sofro por antecipao. Lido com meu propsito. Meu propsito  ajudar o Brasil, eu no tenho outro. No vou trabalhar com dinheiro. Se fosse, nem iria. S junto os rgos e cobro o cronograma da Carta de Intenes Olmpica. J juntei todo mundo na mesma sala, a presidente, o prefeito, o governador. S que agora eu tenho um papel oficial.

ISTO  Est pronta para eventuais crticas?
 Luiza  Voc nunca t pronta. Mas a minha inteno  to forte e maior do que qualquer coisa que vier at mim, eu vou saber. O Magazine Luiza no vai ganhar nada com isso. Eu no vou ganhar nada.

ISTO  A sra. no teme ficar associada ao momento duro que o governo enfrenta?
 Luiza Posso at achar que podem associar, mas eu vou ter medo de enfrentar uma coisa que  para o Brasil? S porque vou ficar associada? Est na hora de algum assumir algumas coisas. Porque seno ningum vai assumir nada, porque fica com medo de tudo. Agora, medo voc tem? Tenho. Mas, entre ter medo e assumir, eu pensei bem e assumi. 

Grvida Bombshell
A gravidez nem de longe lhe tira o furor de exibir suas opulentas curvas como uma autntica bombshell tamanho plus size. E os flashes s aumentam. Nada roupas compostas para gestantes. A socialite americana Kim Kardashian mostrou tudo que tinha direito durante o Cannes Lion 2015, festival internacional de propaganda em Cannes. Kim est grvida de um menino. A mulher de Keny West revelou o sexo do seu segundo filho em seu perfil no Instagram.


3#4 BRASIL CONFIDENCIAL
por Claudio Dantas Sequeira	 

O irmo de Lula no Postalis
Investigaes em curso indicam que um empresrio portugus ligado a Genival Incio da Silva, o Vav, irmo de Lula, foi beneficiado com dinheiro da Fundao Postalis, a previdncia dos funcionrios dos Correios. Mais de R$ 200 milhes foram usados para a compra de cdulas de crdito imobilirio. Uma dessas CCIs foi emitida pela Riviera Empreendimentos, de Emidio Mendes e Carlos Vespoli. Vav atuou como lobista de Mendes no primeiro mandato de Lula, inclusive na busca de negcios com a Petrobras. Outra CCI podre est em nome da J2HA, de Alberto Fuzari Neto, scio do ex-presidente do Banif Antonio Julio Rodrigues.

Lavagem a seco 
 Vespoli e Fuzari esto envolvidos numa mega-fraude no banco portugus. Segundo processo judicial, o grupo de dirigentes do banco, inclusive seu presidente, aprovou uma srie de emprstimos irregulares para empresas ligadas aos prprios administradores. Suspeita-se que os certificados de dvida comprados pelo Postalis tenham lastro nesses contratos fajutos.

Baixando a poeira 
 Ningum viu em Braslia o deputado federal Luis Srgio (PT-RJ), mencionado em denncia de ISTO como suposto beneficirio de desvios da Postalis. Outro envolvido, o senador Lindberg Farias (PT-RJ) viajou em misso  Venezuela. 
 S Renan Calheiros deu as caras no Congresso.

Os segredos de Hage  
 Ex-ministro da CGU, Jorge Hage pediu  CPI da Petrobras uma semana de prazo para se preparar para audincia. Ele comandou a CGU no perodo dos desvios do petrolo e pediu demisso logo que o escndalo atingiu a cpula do PT. Hage nunca concordou com delaes premiadas.

A cor do dinheiro 
 Policiais federais dizem que Carlinhos Cachoeira trocou o ramo de caa-nqueis pelo poker, permitido pela legislao brasileira. A modalidade cash game virou febre nos subsolos de manses no Lago Sul em Braslia. Para entrar no jogo,  preciso desembolsar no mnimo R$ 2 mil em cash.

Paraso asitico
 Pela anlise das quebras de sigilo dos envolvidos na Operao Lava Jato, a Polcia Federal se deu conta de que doleiros e empresrios passaram a operar muito mais na sia do que no Caribe ou nos Alpes. Os velhos parasos fiscais ficaram manjados e as autoridades esto mais atentas.

Contrato melado
 A nova direo do Postalis calcula em R$ 3,5 bilhes o prejuzo financeiro (real) com investimentos em negcios obscuros, como os realizados com o grupo Galileo e a Riviera Empreendimentos. Para reaver essa dinheirama, est movendo histrica ao judicial contra o BNY Mellon, que tem contrato de exclusividade e autonomia sobre a escolha dos investimentos.

A ordem  destruir 
 As oitivas dos envolvidos na Operao Zelotes tm sido constrangedoras para procuradores e policiais, que mostram no conhecer o funcionamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Os advogados dos rus aproveitam para desmontar o processo.

Caminho pavimentado
 Os perdes bilionrios concedidos pelo governo do PT a naes sul-americanas e africanas esto diretamente relacionados  entrada nesses pases de empreiteiras brasileiras. A exportao de bens e servios por meio de emprstimos do BNDES exige que os beneficiados no tenham dbitos com o Brasil. Trata-se de uma regra para evitar que um governo estrangeiro d calote e ainda se beneficie de emprstimos a juros baixos e longo prazo. Empresrios chamam isso de relao ganha-ganha. Na Polcia Federal, o nome  outro.

A Briga Por Marta
 Aliados de primeira hora em So Paulo, PPS e PSB travam uma disputa feroz pelo passe da senadora Marta Suplicy, ex-PT. O projeto do PSB era filiar Marta ainda no primeiro semestre, mas a senadora vem adiando a filiao e o PPS entrou na briga. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) j disse que gostaria de ver Marta no PSB.

Toma l d c
PRESIDENTE DO TSE, DIAS TOFFOLI
ISTO  O sr. quer usar o cadastro eleitoral como base para um novo registro civil nacional. Por qu? 
 Toffoli  A ideia  criar uma nova forma de identificao mais segura, uma nova matriz. Por meio desse registro, evitaremos fraudes financeiras, na Previdncia, no FGTS e no Bolsa Famlia.

ISTO  Os dados biomtricos dos eleitores tambm sero usados?
 Toffoli  Assim os cidados no tero necessidade de se recadastrar para o registro civil, pois os dados j esto na Justia Eleitoral. Tudo estar registrado num carto que ser entregue a cada brasileiro.

ISTO  Qual a diferena do registro nico para o atual sistema de identificao?
 Toffoli  Ele evita que uma pessoa se passe por outra. Nas eleies do ano passado, fizemos um cruzamento do cadastro biomtrico com a emisso de documentos civis e chegamos a identificar uma pessoa que usava 30 nomes diferentes.

Rpidas
* Irmo do ministro Aloizio Mercadante, o coronel Oliva Neto  diretor de Planejamento Estratgico da Odebrecht Defesa e Tecnologia. Ele  o nome da empreiteira para projetos militares bilionrios, como o da construo do submarino nuclear.

* A Transparncia Internacional far workshop em Lisboa com a participao dos procuradores brasileiros Jos Roberto Pimenta e Leonardo Augusto Cezar. O empresrio Hermes Magnus, testemunha-chave do processo que originou a Lava-Jato,  convidado especial.

* Um manto de sigilo cobre a operao policial que prendeu na China integrantes de um grupo de contrabandistas de carne brasileira. O esquema internalizava no pas a mercadoria exportada para o Japo. Haveria brasileiros envolvidos.

* Desde 2006, repousa na Cmara proposta de criao da Lei de Responsabilidade Educacional, para traar metas de aplicao de recursos pblicos, erradicao do analfabetismo e desempenho escolar. Uma boa ideia, que Dilma desconhece.

Retrato falado
Parlamentares contrrios  reduo da maioridade penal apelaram para a ajuda de juristas a fim de tentar convencer os colegas de Parlamento a no alterarem a Constituio. Segundo o deputado Darcisio Perondi (PMDB-RS), h o risco de que menores vtimas de abuso sexual passem a ser consideradas responsveis por seus atos sob alegao de sexo consentido.

Loures, o articulador
 Embora tenha assumido a articulao poltica, o vice-presidente Michel Temer delegou ao ex-deputado Rocha Loures o trato dirio com polticos. Loures recebe as demandas de parlamentares por verbas e cargos, fala com ministros e repassa diretrizes do chefe sobre votaes. Mas quem decide quem entra na agenda de audincias  a poderosa secretria Nara de Deus.

Limpando o tacho
 O PT acertou com o PMDB a aprovao do polmico projeto que libera a atividade de minerao em terras indgenas. Uma comisso especial foi criada para agilizar a aprovao da proposta na Cmara  o texto de Romero Juc (PMDB/RR) j passou no Senado. Para ativistas, a atitude do governo Dilma  mais uma prova do desespero para aumentar a arrecadao. O Palcio do Planalto espera obter R$ 1,5 bilho com impostos sobre a explorao das reservas.


3#5 MRIO SIMAS FILHO - FALTA DE CREDIBILIDADE, O MAIOR PROBLEMA DE DILMA E DO PT
Mrio Simas Filho  diretor de redao da revista ISTO

Ningum mais acredita na presidente. Isso parece irreversvel e dificulta as mudanas que o Pas precisa fazer.

Nas democracias  absolutamente natural que ao longo de uma ou mais gestes a popularidade de um poltico sofra oscilaes. Nenhum lder  capaz de agradar a todos, o tempo todo. Em sociedades globalizadas, governos com boas prticas republicanas invariavelmente precisam recorrer, ao menos temporariamente, a medidas impopulares. Portanto, avaliam os polticos mais veteranos, seja para o bem ou para mal, a popularidade  um ndice sujeito a mudanas. E isso vale para as democracias de diversas maturidades. Nos Estados Unidos, por exemplo, o presidente Barack Obama contava com 30% de aprovao em outubro do ano passado. No comeo de 2015, o ndice dos que apiam seu governo saltou para 48%. Na Argentina, a presidente Cristina Kirchner, segundo as pesquisas mais recentes, tambm comea a ganhar flego popular. No Brasil, porm, o quadro de baixssima popularidade da presidente Dilma Rousseff sugere outras explicaes e parece ser irreversvel.

Por aqui, a popularidade de Dilma encontra-se em pfios 10%, mostram pesquisas realizadas nas duas ltimas semanas. Nmero to desprezvel poderia,  primeira vista, se creditar s amargas medidas de um necessrio ajuste fiscal. Mas no se trata apenas disso. O que se constata  que tambm despencou a simpatia dos eleitores com o PT e com o ex-presidente Luiz Incio Lula da Silva, o criador de Dilma e, at h cerca de seis meses, considerado um mito por boa parte dos brasileiros. Lula, PT e Dilma vm perdendo apoio popular sistematicamente. E a queda da aprovao no se d por causa de um pacote de medidas impopulares. O problema  que depois do Mensalo, do Petrolo e das mentiras perpetradas durante uma acirrada disputa eleitoral, Lula, Dilma e o PT perderam a credibilidade. Dizem os analistas que popularidade pode ser recuperada, credibilidade nem sempre!

Isoladamente, a crise econmica tambm no explica a queda do mito Lula e baixa popularidade de Dilma. Na terra da mandioca, como diz a presidente, a corrupo foi desnudada e com ela veio  tona a existncia de um enorme e condenvel aparelhamento que potencializou os pssimos servios prestados por um estado que historicamente cobra muito e entrega muito pouco.

No campo poltico, o descrdito da presidente  notrio. No jogo de toma l da c com o Congresso, ela perdeu o apoio ao no dar a ateno devida aos parlamentares e a credibilidade ao no cumprir no tempo desejado os compromissos fisiolgicos assumidos com os aliados. Sem crdito, o Congresso passou a ser o palco de guerras dirias e sucessivas derrotas anunciadas. Entre os eleitores, a presidente se tornou mentirosa ao dar incio ao segundo mandato fazendo exatamente tudo o que, durante a campanha, disse que no faria. Uma presidente que no tem a confiana do eleitor e no consegue angariar apoio poltico no parlamento dificilmente ter condies de levar a termo as medidas impopulares necessrias para tirar o Pas do atoleiro. E sem tirar o Pas do atoleiro no h como reverter ndices de popularidade.
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4# BRASIL 1.7.15

     4#1 LULA TREME
     4#2 POLCIA FEDERAL FECHA O CERCO A PIMENTEL
     4#3 SOB DILMA, O BRASIL DERRETE
     4#4 AGORA FALTAM OS POLTICOS
     4#5 O RETORNO DAS PEDALADAS
     4#6 INVESTIGAO  VISTA

4#1 LULA TREME
Temendo a priso, Lula revela desespero ao criticar publicamente o PT. O ex-presidente, que tem dormido pouco, apresenta crises de choro, diz que o governo Dilma no tem mais jeito e avalia que a vitria de Acio em 2014 poderia at ter sido melhor
Srgio Pardellas (sergiopardellas@istoe.com.br)

O ex-presidente Lula anda insone. Segundo amigos prximos, o petista no consegue sossegar a cabea no travesseiro desde a priso, h duas semanas, de Marcelo Odebrecht, presidente da maior empreiteira do Pas, e do executivo Alexandrino Alencar, considerados os seus principais interlocutores na empresa. Tem dormido pouco. Nem quando recebeu o diagnstico de cncer na laringe, em 2011, o petista demonstrou estar to apreensivo como agora. Pela primeira vez, desde a ecloso da Operao Lava Jato para investigar os desvios bilionrios da maior estatal brasileira, a Petrobras, Lula teme amargar o mesmo destino dos empreiteiros. At um ms atrs, o ex-presidente no esperava que sua histria poderia lhe reservar outra passagem pela cadeia. Em 1980, o ento lder sindical foi detido em casa pelo DOPS, a polcia poltica do regime militar. Permaneceu preso por 31 dias, chegando a dividir cela com 18 pessoas. Agora, o risco de outra priso  desta vez em tempos democrticos   real. Na quinta-feira 25, o tema ganhou certo frisson com a divulgao de um pedido de habeas corpus preventivo em favor do ex-presidente impetrado na Justia Federal do Paran. Descobriu-se logo em seguida, no entanto, que a ao considerada improcedente pelo Tribunal Regional Federal no partiu de Lula nem de ningum ligado a ele. Mas, de fato, o poltico j receia pelo pior. O surto pblico recheado de crticas ao governo Dilma Rousseff e petardos contra o partido idealizado, fundado e tutelado por ele nos ltimos 35 anos exps, na semana passada, como os recentes acontecimentos tm deixado Lula fora do eixo.

FORA DO EIXO - Vivendo o pior momento de sua histria, Lula atira contra a prpria obra. Pela primeira vez, o ex-presidente teme os desdobramentos da Operao Lava Jato

Em privado, o ex-presidente exibe mais do que nervos  flor da pele. Na presena de amigos ntimos, parlamentares e um ex-deputado com trnsito nos tribunais superiores, Lula desabou em choro, ao comentar o processo de deteriorao do PT. Como se pouco ou nada tivesse a ver com a dbcle tica, moral e eleitoral da legenda, ele lamentou: Abrimos demais o partido. Fomos muito permissivos, justificou. Talvez naquela atmosfera de emoo, Lula tenha recordado de suas palavras enunciadas em histrica entrevista  ISTO no longnquo fevereiro de 78, quando na condio de principal lder sindical do ABC paulista comeava a vislumbrar o que viria a ser o PT, criado em 1980. Para fazer um partido dos trabalhadores  preciso reunir os trabalhadores, discutir com os trabalhadores, fazer um programa que atenda s necessidades dos trabalhadores. A pode nascer um partido de baixo para cima, disse na ocasio. Hoje, o PT, depois de 12 anos no poder, no rene mais os trabalhadores, no discute com eles, muito menos implementa polticas que observem as suas necessidades. Pelo contrrio, o governo Dilma virou as costas para os trabalhadores, segundo eles mesmos, ao vetar as alteraes no fator previdencirio, mudar as regras do seguro para os demitidos com carteira assinada e adotar medidas que levam  inflao e  escalada do desemprego. Agora crtico mordaz da prpria obra, Lula sabe em seu ntimo que no pode se eximir da culpa pela iminente derrocada do projeto pavimentado por ele mesmo.

Restaram os desabafos, sinceros ou no, e a preocupao com o futuro. Num dos momentos de lucidez, o ex-presidente fez vaticnios impensveis para quem, at bem pouco tempo, imaginava regressar triunfante ao Planalto daqui a trs anos. Em recentes conversas particulares no Instituto que leva o seu nome, em So Paulo, Lula desenganou o governo Dilma, sucessora que ele mesmo legou ao Pas. Dilma j era. Agora temos que pensar em salvar 2018, afirmou referindo-se s eleies presidenciais. Para o petista, a julgar pelo quadro poltico atual, teria sido melhor para o projeto de poder petista e da esquerda que (o senador tucano) Acio Neves tivesse ganho as eleies presidenciais do ano passado. Assim, no entender dele, o PSDB, e no o PT, ficaria com o nus das medidas amargas tomadas na esfera econmica destinadas a tirar o Pas da crise, o que abriria estrada para o seu retorno em 2018. Como o seu regresso no  mais favas contadas, o petista tem confidenciado todo o seu descontentamento com a administrao da presidente Dilma. Lula credita a ela e ao ministro da Justia, Jos Eduardo Cardozo, o avano da Lava Jato sobre sua gesto. Embora essa hiptese ainda seja improvvel, petistas ligados ao ex-presidente no descartam a possibilidade de ruptura, o que deixaria a presidente ainda mais vulnervel para enfrentar um possvel processo de impeachment. A atitude, se levada adiante, no constituiria uma novidade. Em outros momentos de intensa presso, como no auge do mensalo e do escndalo do caseiro Francenildo, Lula no se constrangeu em rifar aliados e at amigos do peito, como os ex-ministros Jos Dirceu, Antonio Palocci e Ricardo Berzoini.

ISOLADA - A presidente tentou minimizar as declaraes de Lula, mas no paralelo mandou emissrios procur-lo

Quem testemunhou as confidncias de Lula na ampla sala de reunies de seu Instituto, sediado na capital paulista, no chegou a ficar surpreso com o destempero verbal apresentado pelo petista na semana passada. No se pode dizer o mesmo da maioria expressiva da classe poltica, impossibilitada de privar da intimidade do ex-presidente. De to pesados e surpreendentes, os ataques de Lula a Dilma e ao PT foram recebidos com perplexidade. O primeiro tiro foi disparado na quinta-feira 18. Numa reunio com padres e dirigentes religiosos, Lula admitiu, em aluso ao nvel baixo do sistema da Cantareira, que ele e Dilma esto no volume morto. E o PT est abaixo do volume morto, avaliou. Na segunda-feira 22, Lula elevou ainda mais o tom. S que contra o PT. Em debate com o ex-presidente do governo espanhol Felipe Gonzles, disse que o partido est velho, s pensa em cargos e em ganhar eleio. Queremos salvar a nossa pele, nossos cargos, ou queremos salvar o nosso projeto?, questionou Lula, durante a conferncia Novos Desafios da Democracia. Nos dias subseqentes s declaraes, enquanto o meio poltico tentava interpretar o gesto do petista, o Planalto reagia a seu modo. Num primeiro momento, Dilma minimizou.Todos tm direito de fazer crticas, principalmente o presidente Lula. No dia seguinte, no entanto, Dilma orientou o ministro da Comunicao Social, Edinho Silva, a procurar Lula para tentar entender as razes de tamanha fria. Paralelamente, o ex-presidente tratou de se proteger. Articulou junto  bancada do PT no Senado a divulgao de uma nota de desagravo a ele prprio. Criou, assim, mais uma jabuticaba poltica: fez com que o partido atacado emitisse um documento em apoio ao autor dos ataques. Na nota, o PT manifestou total e irrestrita solidariedade ao grande presidente Lula, vtima de uma campanha pequena e srdida de desconstruo de uma imagem que representa o que o Brasil tem de melhor. No fim da semana, ao perceber o ar rarefeito, Lula mandou emissrios espalharem o suposto reconhecimento de que ele 'se excedeu. Era tarde.

ELA TIRA O SONO DELE - Integrantes da Lava Jato querem investigar suposto depsito milionrio feito em Portugal pela amiga de Lula, Rosemary Noronha

Para o cientista poltico da USP, Jos lvaro Moiss, ao abrir confronto contra Dilma e o PT, Lula jogou para a plateia. Ele est vendo o navio fazer gua, por isso age assim, avaliou. Para Oswaldo do Amaral, da Unicamp, ao dizer que o partido precisa de uma renovao, Lula tenta uma reaproximao com o eleitorado mais jovem, segmento hoje refratrio a ele (leia mais em matria na pgina 46). O jornalista Jos Numanne Pinto, autor do livro O que sei de Lula, no qual conclui que o ex-presidente nunca foi efetivamente de esquerda,  mais contundente. Para ele, Lula  sagaz e no tem escrpulo nenhum para mudar seu discurso. O ex-presidente tem circunstncias e convenincias que ele manipula, afirmou. Na verdade, ele no quer se descolar do PT e sim da Dilma. Com esse discurso da utopia, ele planeja atrair parte do PT que finge ser honesto, disse.

O mais espantoso na catilinria lulista  que o ex-presidente se comporta como se fosse um analista distante de uma trama da qual  personagem principal. Numa analogia com o futebol, recurso metafrico muito utilizado por Lula quando estava na Presidncia, seria como se o zagueiro e ento capito da seleo brasileira David Luiz descrevesse os sete gols da Alemanha como se no tivesse assistido entre atordoado e impassvel ao baile de Toni Kroos, Schweinsteiger e companhia em campo. No caso do ex-presidente h um agravante: Lula nunca foi apenas um mero integrante do time, mas o mentor, o grande lder e artfice da caminhada petista at aqui. Por isso mesmo, causou ainda mais espcie a repreenso de Lula ao PT por sua sede por cargos. Ora, o aparelhamento da mquina pblica pelo PT e aliados comeou e recrudesceu durante os dois mandatos do petista. Quando Lula chegou ao poder em 2003, havia 18 mil cargos de confiana na administrao federal. Ao transmitir o cargo para Dilma, em 2011, j eram cerca de 23 mil.

Do mesmo modo, Lula no pode lamentar, como fez em privado, que o crescimento do partido levou aos desvios ticos e  corrupo  hoje marca indissocivel ao PT. O escndalo do mensalo, que resultou na condenao de dirigentes petistas em julgamento no STF, remonta ao seu governo. E o processo de abertura da legenda, bem como  rendio  poltica tradicional de alianas, baseada no fisiologismo e no toma l, da c, beneficiou o prprio Lula. Sem isso, o ex-presidente dificilmente se elegeria em 2002. Ao chegar ao Planalto, Lula cansou de dar demonstraes de que no sabia separar o pblico do privado. A mais chocante delas foi a ousadia de ornar os jardins do Alvorada com a estrela rubra do PT. O limite entre o pblico e o privado foi ultrapassado tambm quando Lula nomeou a amiga Rosemary Noronha para a chefia de gabinete de um escritrio da Presidncia em So Paulo. Hoje, Rosemary responde a uma ao na Justia por formao de quadrilha, trfico de influncia e corrupo passiva. Ela integraria um esquema de vendas de pareceres tcnicos de rgos pblicos federais. Agora, a personagem muito prxima a Lula pode retornar ao noticirio numa outra vertente das investigaes da Lava Jato. Trata-se da retomada das apuraes do episdio envolvendo um suposto depsito milionrio feito em Portugal por Rosemary. Para a PF, o caso converge com a investigao sobre a Odebrecht e a Andrade Gutierrez.  que Otvio Azevedo, preso na 14 fase da Lava-Jato, foi representante da Portugal Telecom no Brasil. A empresa de telefonia era em grande medida controlada pelo Grupo Esprito Santo, parceiro da Odebrecht em vrios empreendimentos em territrio portugus. Tudo converge para os mesmos personagens.

Se j houver outra investigao em curso, tambm podemos colaborar, afirmou  ISTO um delegado ligado a Lava Jato. At hoje no se sabe o que houve com o ofcio protocolado pelo ento deputado Anthony Garotinho (PR/RJ) sobre o priplo de Rosemary em solo portugus. Em 2012, Garotinho denunciou o caso com base em relatos de um ex-delegado federal. Rosemary, segundo essa fonte, teria desembarcado em Lisboa com passaporte diplomtico e autorizao para transportar uma mala. Ao chegar  alfndega, questionada sobre o contedo da bagagem, teria revelado que transportava 25 milhes de euros para depositar na agncia central do Banco Esprito Santo no Porto. Segundo a mesma verso, as autoridades alfandegrias sugeriram que ela contratasse uma empresa de transporte de valores. Para executar o servio, a empresa Prosegur exigiu a contratao de um seguro, pelo que Rosemary teve de preencher uma declarao com a quantia e a titularidade dos recursos. Ela, ento, teria identificado o prprio Lula como proprietrio do dinheiro.

No restam dvidas de que a exploso do petista deriva principalmente dos rumos tomados pelas investigaes da Lava Jato nas ltimas semanas. Mas seus recentes arroubos guardam relao tambm com os resultados das ltimas pesquisas de opinio. De janeiro para c, os levantamentos mostram a vertiginosa queda de popularidade de Dilma e dele prprio, que j perderia para o senador Acio Neves se as eleies presidenciais fossem hoje. De acordo com o ltimo Datafolha, Acio aparece com 10 pontos na frente de Lula. Segundo a mesma pesquisa, o governo Dilma foi reprovado por 65% dos eleitores. Este ndice de reprovao s no  maior do que o do ex-presidente Fernando Collor no perodo pr-impeachment, em setembro de 1992. Na poca, Collor era rejeitado por 68% dos brasileiros. No levantamento, o governo Dilma  classificado como bom ou timo por apenas 10% dos brasileiros.  a maior taxa de impopularidade da petista desde 2011. A taxa de aprovao da presidente no Sudeste  de apenas 7%. No Nordeste, histrico reduto eleitoral do PT,  de somente 14%.

Num cenrio nada alvissareiro para Dilma como o atual, em que ela est s voltas com um processo no TCU que pode at levar ao seu afastamento, o pior dos mundos para ela seria um rompimento com o padrinho poltico. Nesse cenrio, Lula levaria com ele para o outro lado da trincheira parte do PT que hoje critica severamente a poltica econmica do governo. Se uma ruptura oficial  improvvel, o mesmo no se pode dizer de um racha na prtica, mas no declarado. O embrio do que pode vir a ser um contraponto ao governo surgiu na quarta-feira 24, em reunio na casa do senador Randolfe Rodrigues, do PSOL. Nela estavam presentes parlamentares do PSB e petistas de proa, como o ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, e o senador Lindbergh Farias (RJ). No encontro, articularam o que chamam de Frente de Esquerda. Se o movimento florescer, o grande responsvel pela ascenso e projeo poltica de Dilma  o ex-presidente Lula  poder ser tambm o principal artfice do seu irremedivel isolamento.

Com reportagem de Claudio Dantas Sequeira


4#2 POLCIA FEDERAL FECHA O CERCO A PIMENTEL
Documentos apreendidos mostram que o governador de Minas e sua mulher tiveram despesas pessoais pagas por empresrio acusado de movimentar R$ 500 milhes ilegalmente 
Josie Jeronimo e Claudio Dantas Sequeira

O cerco se fechou sobre o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT). Documentos obtidos pela Polcia Federal nas investigaes da Operao Acrnimo mostram que o petista, quando ministro de Desenvolvimento, Indstria e Comrcio, teve despesas pessoais pagas pelo empresrio Benedito Rodrigues de Oliveira Neto. Conhecido como Ben, o empresrio  acusado de chefiar um esquema de corrupo e lavagem de dinheiro que movimentou R$ 500 milhes. Amigo de Pimentel, Ben emprestou seu avio e pagou a hospedagem do petista e de sua mulher Carolina Oliveira num resort de luxo na Bahia, em novembro de 2013. Os documentos mostram que o fim-de-semana custou ao empresrio pouco mais de R$ 12 mil. Episdios semelhantes levaram ao impeachment de Fernando Collor. Como ISTO revelou em reportagem de capa no incio de junho, a PF j investigava a possibilidade de dinheiro ilegal de Ben ter abastecido a campanha do PT que levou Pimentel ao governo de Minas. Agora, com as novas descobertas, o governador passa a ser um dos principais atingidos pelas investigaes sobre os negcios escusos do empresrio.

Os documentos apreendidos tambm indicam que Carolina Oliveira, mulher do governador, por meio de sua empresa Oli Comunicaes, recebeu em trs anos mais de R$ 3,7 milhes em contratos suspeitos com diferentes empresas, como o grupo francs Casino, dono do Po de Acar, o frigorfico Marfrig e a agncia de publicidade Pepper. Entre 2012 e 2014, a Oli tambm recebeu R$ 2,4 milhes do consultor Mario Rosa. Os valores constam de uma tabela apreendida em busca na casa da mulher de Pimentel em Braslia. Com tantas evidncias envolvendo o governador, a primeira dama e o empresrio Ben, o Superior Tribunal de Justia autorizou a continuidade das investigaes e na quinta-feira 25, a PF deflagrou a segunda fase da Operao Acrnimo, cumprindo 19 mandados de busca e apreenso em Braslia, Belo Horizonte, Uberlndia, So Paulo e Rio de Janeiro. Os policiais recolheram documentos e mdias em um escritrio usado pelo governador durante a campanha. Estiveram tambm na sede da Pepper. Relator do caso no STJ, o ministro Herman Benjamin foi cauteloso.  que a Polcia Federal pediu a busca em 34 alvos, o MP reduziu a lista para 25 e o ministro autorizou apenas os 19. Ele rejeitou, por exemplo, que a operao inclusse buscas na residncia oficial de Pimentel, na sede do BNDES e nos grupos empresariais. Para ele, no havia necessidade de buscas nos escritrios das duas companhias. J foram apreendidos documentos relativos s operaes supostamente irregulares, escreveu.

Para os investigadores, o dinheiro repassado  Oli Comunicaes pode ter sido propina em troca da liberao de emprstimos do BNDES ou de renegociaes de dvidas com o banco  que  ligado  pasta ento comandada por Pimentel. Tanto Casino como Marfrig tm linhas de crdito com o banco e, em janeiro de 2014, o grupo francs conseguiu que o Conselho de Administrao do BNDES renovasse o prazo de vencimento de um de seus dbitos, num valor superior a R$ 2 bilhes. Na poca, Pimentel e Carolina viviam num apartamento em Braslia. Foi justamente nesse endereo que a PF encontrou a lista de clientes da agncia de comunicao da atual primeira dama de Minas. A empresa de Carolina estava registrada em uma sala comercial que pertence a Ben. Testemunhas ouvidas pela PF indicam ainda que o empresrio freqentava a sede do BNDES e chegou a usar uma sala de reunies para despachos pessoais.

Na quinta-feira 25, a Marfrig negou qualquer relao com Carolina Oliveira. Em nota, a primeira-dama mineira alegou ter prestado servios de comunicao digital para a Pepper e de gerenciamento de crises para a MR Consultoria, de Mario Rosa. O consultor confirmou ter contratado a jornalista para ajud-lo com duas grandes empresas que viviam problemas de imagem. A PF e Ministrio Pblico j identificaram indcios de caixa 2 e subfaturamento na campanha eleitoral de Pimentel. Foram apreendidas com o prprio Ben, em sua primeira priso em novembro, duas folhas com tabelas de pagamentos e prazos referentes  Campanha Pimentel. Uma das tabelas apreendidas pela PF indica pagamentos da Grfica Brasil com uma empresa terceirizada. Enquanto nas ordens de servio consta a impresso de 2,5 milhes de santes, espcie de banner, na nota fiscal o valor registrado  de R$ 250 mil itens. Outras cinco notas fiscais referentes a servios prestados na eleio no aparecem nas contas entregues  Justia Eleitoral. Elas somam R$ 362 mil e se referem  produo de 34 milhes de santinhos, santes e lambe-lambes. O subfaturamento ou doao in natura no declarada teriam por objetivo minorar os gastos da Grfica Brasil com a campanha, bem como possibilitar que os gastos do candidato no atingissem o limite estipulado no incio da campanha, afirma a PF na representao que fundamentou o pedido de buscas. Para os investigadores, Pimentel e Ben podem ter usado a grfica para ocultar a natureza de valores oriundos de ilcitos.


4#3 SOB DILMA, O BRASIL DERRETE 
O segundo mandado da presidente destruiu o PIB, aniquilou empregos e espantou investimentos. A m notcia  que tudo pode piorar
Amauri Segalla (asegalla@istoe.com.br)

No comeo de 2015, muita gente acreditou que a crise seria passageira. Reeleita, a presidente Dilma Rousseff e seu renovado ministrio dariam um jeito de fazer a economia andar, e seguiramos em frente apesar de tudo. Depois, l pelo terceiro ms do segundo mandato, Dilma lanou a ideia de que este seria um ano de ajustes e que teramos que sofrer um pouco agora para conhecer a felicidade logo adiante. O PIB cairia quase nada, disseram  no Planalto, mas em 2016 tudo seria diferente. Nos ltimos dias, a dura realidade bateu mais uma vez  porta dos brasileiros. Ningum mais  a no ser provavelmente algum membro relapso do governo  acredita que 2015 no ser o ano em que viveremos uma tragdia econmica. Ou que, em 2016, as finanas do Pas vo recuperar os sinais vitais. A retomada, palavra manjada que a atual administrao tratou de desgastar, ficar apenas para 2017. Talvez s em 2018 a nao volte a respirar, e mesmo assim sem muito flego. Sob Dilma, o Brasil ter seu pior desempenho econmico desde Fernando Collor. Projeta-se para o segundo mandato da presidente um crescimento mdio anual de 0,5%.  pouco, quase nada, um desperdcio do que poderia ter sido e no foi. Ns sequer chegamos ao pior momento da crise diz o economista Mauro Rochlim, professor da Fundao Getlio Vargas.

 DERIVA? - Para o ministro Levy, o Brasil vive uma ressaca.A gente no pode  deixar o barco nas pedras

Os indicadores econmicos derreteram no segundo governo Dilma. Eles so to ruins que no  mais suficiente compar-los com meses anteriores. Suas referncias mais prximas so anos distantes. Em alguns casos, s d para  cotej-los com dados de duas dcadas atrs. Em maio, o mercado formal de empregos registrou o pior ndice em 23 anos, com um saldo negativo de 115 mil vagas. A comparao se d com 1992, quando o Brasil vivia um dos perodos mais sombrios de sua histria recente. Envolvido em uma srie de denncias de corrupo, o presidente Fernando Collor enfrentava o processo de impeachment, que culminaria na sua renncia. Agora, por uma dessas coincidncias histricas, os malfeitos resultantes do cruzamento de interesses pblicos e privados tambm ameaam a governabilidade e ferem de morte a economia nacional.

 um erro dizer que o Pas parou. No se trata de paralisia, mas de retrocesso. A inflao de 2015 no ser menor do que 9%, mas uma corrente de especialistas j fala em algo prximo a 10%. Se esses percentuais se confirmarem, sero a prova de que recuamos no tempo. Mais exatamente, a 2002 e 2003, quando a alta de preos foi de 12,53% e 9,30%. H uma diferena marcante entre os perodos: o desempenho do PIB. Em 2002 e 2003 a economia brasileira cresceu 3,1% e 1,2%, enquanto em 2015 ela vai encolher. E muito: para alguns especialistas, at 2%. O Brasil est diante do pior cenrio possvel. H um nome feio para isso: estagflao, a combinao de PIB baixo com inflao alta.  possvel sair dessa? D para frear o estouro inflacionrio sem depreciar ainda mais o PIB? Existe uma frmula para fazer a economia progredir sem alimentar a inflao? Dilma no tem dado respostas satisfatrias para essas perguntas. Para o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o Pas vive uma espcie de ressaca. A boa notcia  que a ressaca passa, disse. A gente tem que se preparar. No pode deixar o barco nas pedras.

Os nmeros esto a para provar que a crise econmica chegou ao bolso dos brasileiros. Um estudo divulgado na semana passada pelo SPC Brasil, instituio que acompanha os ndices de inadimplncia, constatou que existem 56,5 milhes de CPFs negativados no Pas. CPF negativado  o termo usado para se referir s pessoas que no pagam as contas em dia e ficam com o nome sujo na praa. Visto por outro ngulo, esse indicador quer dizer o seguinte: quatro de cada dez brasileiros no honram seus boletos. As pessoas no atrasam os pagamentos por malandragem (pelo menos a maioria delas). Fazem isso por falta de dinheiro. E falta de dinheiro  resultado direto da crise atual.

Os problemas da economia brasileira levaram ao aumento absurdo de preos nos ltimos meses. E eles subiram por decises equivocadas da presidente, como represar tarifas em ano eleitoral. Em 2014, a conta de luz diminuiu, o que comprometeu as finanas das operadoras e deu a falsa impresso de que os brasileiros viveriam dias melhores. Agora, a fatura chegou (a tarifa de energia deve subir mais de 40% em 2015) e com ela o previsvel calote. Em maio, o atraso nos boletos de energia aumentou 13,9% em relao ao mesmo ms de 2014. Para o economista Luiz Rabi, da Serasa Experian, a inadimplncia vai crescer at o final do ano, um indicativo de que o tsunami est longe de passar. De acordo com o mesmo levantamento, a maioria dos devedores (55%) tm menos de 40 anos.  que as crises costumam atingir com maior intensidade quem est do lado mais fraco. Ela interrompeu os planos de muitos jovens que esto prestes a entrar no mercado de trabalho ou que no tm uma carreira consolidada. Muitos foram demitidos e atrasaram ainda mais os seus compromissos financeiros.  assim que se constri um ciclo negativo sem fim.

Os economistas no hesitam em colocar nos ombros de Dilma a responsabilidade pela crise. O aumento dos gastos fiscais, as pedaladas e o uso dos bancos pblicos para beneficiar determinados segmentos deterioraram as contas pblicas e afetaram a nossa percepo de risco junto ao mercado internacional, diz Roberto Dumas Damas, professor do Insper. O excesso de intervencionismo no s afugentou investidores como prejudicou ainda mais a nossa capacidade produtiva. O setor industrial vive a maior crise em anos. Na semana passada, o alemo Phillipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz no Brasil, deu uma entrevista reveladora para o jornal Folha de S.Paulo. O executivo contou que as vendas de caminhes caram 44% de janeiro a maio. As de nibus, 27%.

O motivo do declnio? H 10 anos, a inflao era baixa, as contas pblicas estavam equilibradas e ns sabamos o que viria pela frente, disse. Hoje em dia, as mudanas constantes nas premissas econmicas afetaram a previsibilidade, um elemento essencial para as empresas. Sem ter o mnimo de certeza do que acontecer no futuro prximo, eles seguram investimentos. E demitem. Na mesma entrevista, Schiemer desconstroi uma desculpa tpica do governo Dilma. Segundo a lgica da presidente, o Brasil patina porque outros pases tambm enfrentam dificuldades. No sei onde enxergam isso, porque China, Estados Unidos e Alemanha no esto em crise, afirmou o executivo. O que temos no Brasil  um problema caseiro. ltimo dos grandes economistas a aderir s crticas contra Dilma, Delfim Netto bateu forte contra o governo em um artigo publicado na semana passada. A economia brasileira navega num mar desconhecido, escreveu Delfim. Ele fez um prognstico sombrio. Sem mudanas estruturais, o Brasil corre o risco de ficar  deriva em mais 43 meses de mediocridade. O nmero no  aleatrio: 43 meses  o tempo que resta para Dilma terminar o segundo mandato.


4#4 AGORA FALTAM OS POLTICOS
Depois de quatro meses do pedido de abertura de inqurito pelo ministro Teori Zavascki, a PF e o Ministrio Pblico pouco avanaram nas investigaes contra parlamentares
Josie Jeronimo e Claudio Dantas Sequeira

Na ltima semana, a Operao Lava Jato chegou ao topo da hierarquia do Petrolo. No h mais nenhum grande executivo de empreiteira do esquema de corrupo da Petrobras que no tenha passado pelas carceragens da Polcia Federal em Curitiba. Os acusados de integrar o ncleo poltico do esquema, porm, continuam intactos. Apenas ex-parlamentares cumprem priso preventiva em decorrncia das investigaes. Os envolvidos no escndalo com mandatos parlamentares ou executivos permanecem protegidos por uma conveniente morosidade do Judicirio. No Supremo Tribunal Federal (STF), por exemplo, os processos no andam. Quase quatro meses se passaram desde que o ministro Teori Zavascki autorizou a abertura de inqurito para investigar 22 deputados e 12 senadores de um total de 47 polticos alvos da apurao. De maro at agora, pouca coisa aconteceu. Algumas diligncias foram realizadas e depoimentos colhidos, mas PF e MPF no produziram sequer uma nova prova consistente, dando margem ao discurso de perseguio poltica usado por caciques do PT, do PMDB, PP e outros partidos aliados.

NOVO PRAZO - Na semana passada, o procurador-geral da Repblica, Rodrigo Janot, pediu prorrogao do prazo da investigao

Na semana passada, a Procuradoria Geral da Repblica solicitou ao STF outra vez a prorrogao do prazo de investigao das autoridades envolvidas no Petrolo. As apuraes deram uma arrefecida, resume um dos investigadores da fora-tarefa da Lava Jato. Parte da demora  atribuda a manobras de agenda dos parlamentares investigados, criando dificuldades para que a PF pudesse ouvir todos os depoimentos at o prazo de 29 de junho. No bastasse isso, os polticos que apresentaram explicaes  PF fizeram relatos burocrticos, obrigando os investigadores a agendarem uma nova rodada de oitivas com os delatores para obter mais detalhes que possam incriminar os acusados. Tudo isso tem criado um clima de j ganhou entre os polticos. Na sociedade, porm, o clima  de j perdeu. A certeza da impunidade  tamanha que o ex-deputado Carlos Magno (PP-RO), citado pelo doleiro Alberto Yousseff como um dos beneficirios da distribuio de propina do esquema, disse  fora-tarefa que perdeu parte da memria, eximindo-se de qualquer responsabilidade no caso. O ex-parlamentar alegou que o lapso foi causado por complicaes decorrentes de uma hepatite C.

Fontes ligadas  investigao disseram  ISTO que o nico inqurito com chances de avanar no Supremo  o que envolve o presidente da Cmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), inimigo do Palcio do Planalto e do procurador-geral, Rodrigo Janot. A vontade poltica, porm, no garante agilidade. Na quarta-feira 25, o MPF pediu mais 60 dias para concluir a apurao contra o peemedebista. Cunha, segundo relato de Youssef,  acusado de chantagear as empresas Toyo e Mitsui, convocando-as a audincias pblicas caso no liberassem comisses que teriam sido acertadas com o poltico em contratos com a Petrobras.

O principal entrave nas investigaes do ncleo poltico  demonstrar que parte da propina era paga por meio do caixa oficial de campanha. Sem interceptaes telefnicas, os investigadores tm dificuldade de materializar as acusaes dos delatores contra os parlamentares. O vai-e-vem de polticos na sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, foi anexado aos autos como indcio de trfico de influncia. Os registros da estatal mostram que 21 dos parlamentares investigados estiveram 118 vezes na sede da estatal no perodo de 2007 a 2012. Mesmo assim, so elementos ainda frgeis para levar os inquritos adiante. Quando a lista dos polticos envolvidos com a Lava Jato foi apresentada, no incio de maro, o Congresso foi devastado pela notcia e as bancadas partidrias montaram uma espcie de quarentena para resguardar os investigados de aparies pblicas e compromissos com o partido. Agora, os envolvidos no Petrolo transitam sem preocupaes. A paralisia do Conselho de tica da Cmara e do Senado tambm  um reflexo da morosidade da tramitao dos inquritos na justia. Desde maro, quando se reuniu para dar posse ao novo colegiado, o Conselho no se reuniu sequer uma vez.


4#5 O RETORNO DAS PEDALADAS
Anlise do Oramento de 2015 mostra que o governo repete as manobras fiscais que podem levar  rejeio das contas do ano passado. Insistncia na maquiagem da contabilidade complica a situao de Dilma no TCU
Josie Jeronimo (josie@istoe.com.br)

As manobras fiscais de 2014 ainda nem foram julgadas, mas o governo insiste nas mesmas prticas j condenadas pelo TCU e que podem levar o tribunal a reprovar as contas da presidente Dilma Rousseff de maneira indita na histria. Uma anlise no Oramento da Unio deste ano mostrou que, de janeiro a abril, o governo voltou a fazer operaes de crdito que elevaram a dvida do Tesouro com bancos pblicos e com o Fundo de Garantia por Tempo de Servio (FGTS) em cerca de R$ 20 bilhes. Em auditorias realizadas de setembro a novembro de 2014, os tcnicos haviam identificado que recursos das instituies financeiras e FGTS foram utilizados para pagar pelo menos R$ 40,2 bilhes em despesas de benefcios sociais que deveriam ter sado do caixa do Tesouro, como o Bolsa Famlia, auxlios previdencirios, despesas do Minha Casa, Minha Vida e crditos agrcolas. Esses artifcios, que permitiram ao governo exibir uma sade econmica muito distante da realidade, ficaram conhecidos como pedaladas. No TCU, a maquiagem nas contas para elevar superficialmente o resultado do supervit foi considerada violao  lei de responsabilidade fiscal. H um descumprimento de lei. Um banco pblico no pode emprestar dinheiro para o governo.  como se voc estivesse devendo no seu cheque especial, e o governo no pode ter esse cheque especial, disse o ministro Jos Mcio.

PEDALADA FATAL - Se o TCU rejeitar as contas da presidente, presso pelo seu afastamento aumentar.

A reincidncia pode complicar a situao da presidente, que ainda precisa explicar aos integrantes do colegiado, por exemplo, por que o governo no registrou na dvida pblica os passivos gerados pelos atrasos nos repasses do Tesouro a bancos e autarquias. Em entrevista  ISTO, o procurador Jlio Marcelo de Oliveira, que atua no TCU, disse que a repetio das pedaladas  um pssimo sinal. O governo encontra dificuldades com a queda da arrecadao, mas do nosso ponto de vista, regras no podem ser quebradas, afirmou.

O Planalto tenta convencer o TCU que o ex-secretario do Tesouro Arno Augustin  quem foi o responsvel pela prtica ilegal. No seu ltimo dia de trabalho, Augustin assinou uma nota tcnica em que se responsabiliza pelas manobras fiscais. Para o Ministrio Pblico, no entanto, as contas do governo so de responsabilidade da presidente. Os decretos so assinados pela presidente. Se ela foi mal orientada pelo Arno Augustin, ela tem a responsabilidade por ter escolhido o secretrio do Tesouro, afirmou Jlio Marcelo.

Se o governo no conseguir convencer o tribunal, e tem at a segunda quinzena de julho para isso, Dilma ter as contas rejeitadas e poder estar formalmente enquadrada no crime de responsabilidade fiscal. O prazo para que Dilma respondesse a 13 questes elaboradas pelo TCU foi concedido h duas semanas pelo relator do processo, ministro Augusto Nardes. Na semana passada, Nardes deu sinais de que no pretende aliviar para o Planalto. O relator afirmou que o governo passou dos limites ao ignorar alertas do rgo de fiscalizao. Chega de aprovar contas com ressalvas, porque o governo passou dos limites, como no caso da Petrobrs. Falta de aviso no foi, mas, infelizmente, governantes no aceitaram as sugestes. O ministro concorda com o Ministrio Pblico que a contabilidade governamental no  atribuio exclusiva do secretrio do Tesouro. As contas no so do Arno, so da presidente Dilma. O fato de um gestor fazer no significa que ela no possa ser responsabilizada. No so os atos de Arno que estamos analisando, so as contas da presidente. Se um assessor dela tomou uma medida em nome do governo, a responsabilidade  dela , fez coro Nardes.

Em razo das manobras no Oramento, a oposio j solicitou ao procurador-geral da Repblica, Rodrigo Janot, abertura de ao penal contra Dilma. Janot ainda no se pronunciou sobre o pedido. Uma possvel rejeio das contas do governo, porm, poder ter um peso na anlise da PGR. O descumprimento de regras de aplicao do Oramento da Unio  previsto na Constituio como crime de responsabilidade. Se o procurador-geral decidir encaminhar ao Supremo Tribunal Federal (STF) o pedido de abertura de ao penal contra a presidente, a corte ter que pedir autorizao do Congresso para investigar Dilma. Acatado o pedido do Supremo, a Constituio determina que a presidente se afaste do cargo por 180 dias, para que a influncia poltica e institucional no interfira nas investigaes. Nesse caso, estaria criado o ambiente poltico que a oposio tanto aguarda para apresentar um pedido de impeachment contra a presidente.


4#6 INVESTIGAO  VISTA
Denncia de ISTO, que envolve o presidente do Congresso, Renan Calheiros, e os petistas Lindbergh Farias e Luiz Srgio no esquema de desvios do Postalis e da Petros, aumenta a presso para a instalao da CPI dos Fundos de Penso
Josie Jeronimo (josie@istoe.com.br)

O inqurito da Polcia Federal, divulgado por ISTO na ltima semana, que mostrou o envolvimento do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e do deputado Luiz Srgio (PT-RJ) no esquema de desvio de recursos dos fundos de penso, ampliou a presso no Congresso pela instalao da CPI destinada a investigar o rombo nas previdncias complementares do funcionalismo pblico. Em sua ltima edio, ISTO revelou que Renan foi acusado por um ex-funcionrio da Galileo Educacional de receber R$ 30 milhes numa transao que sangrou os caixas da Postalis e da Petros  fundos de penso dos Correios e Petrobras, respectivamente - em pelo menos R$ 100 milhes. Os petistas Lindbergh e Luiz Srgio teriam embolsado R$ 10 milhes, cada um. O delator foi a principal fonte de um inqurito aberto pela PF para investigar o assunto. A denncia torna inadivel a abertura de investigao na Casa. Esse esquema est corroendo os recursos dos fundos de penso, afirmou o lder do PPS, Rubens Bueno (PR), um dos autores do requerimento de instalao da CPI.

Os indcios de que os recursos pagos aos parlamentares petistas possam ter irrigado campanhas polticas do PT no Rio de Janeiro colocaram o ex-tesoureiro do partido Joo Vaccari Neto novamente no centro das investigaes. Documentos apreendidos na casa do doleiro Alberto Youssef, preso por envolvimento no esquema de corrupo da Petrobras, registram atuao de Vaccari em operaes da Postalis e da Petros.

E AGORA, RENAN? - O Presidente do Congresso  cobrado para indicar integrantes da CPI dos Fundos de Penso, depois de denncia contra ele trazida por ISTO

Esses novos ingredientes fizeram com que, nos ltimos dias, lderes da oposio acelerassem o recolhimento das assinaturas de um tero dos parlamentares  total necessrio para aprovar um projeto de resoluo para criar a Comisso de Inqurito dos Fundos de Penso em regime de urgncia na Cmara. A Casa tem, atualmente, quatro CPIs instaladas  a da Petrobras, a da Violncia contra Jovens Negros e Pobres, a do Sistema Carcerrio e a da Mfia das Prteses. O regimento interno estabelece que a Cmara funcione com no mximo cinco comisses de investigao. Embora a dos Fundos de Penso seja a oitava da fila, a oposio aposta que a revelao de ISTO deu um novo flego para a instalao da CPI.

As entidades de classe prejudicadas pelos desvios pressionam os deputados. Na tarde de tera-feira 23, representantes de categorias do funcionalismo, indignados com o rombo no caixa de previdncias complementares, abordaram integrantes da Comisso de Constituio e Justia (CCJ) com exemplares da revista ISTO em mos solicitando apoio  instalao da comisso. Para levar ao plenrio um projeto de resoluo para instalar a CPI em regime de urgncia  preciso a adeso de mais de 170 deputados, alm do aval da CCJ. Renan, Luiz Srgio e Lindbergh negam qualquer envolvimento no caso.

A exemplo da Cmara, no Senado, parlamentares de oposio tambm tentam emplacar uma CPI dos Fundos de Previdncia Complementar. L a questo est mais avanada, mas o envolvimento de Renan exps os interesses polticos que travam a CPI. Desde o dia 6 de maio, a Comisso est pronta para iniciar os trabalhos. Resta apenas que os lderes partidrios indiquem os integrantes do colegiado. Na ltima semana, a senadora Ana Amlia Lemos (PP-RS) cobrou do prprio Renan a responsabilidade de indicar os participantes da comisso. A atribuio seria do presidente da Casa, segundo jurisprudncia do STF, mas Renan, at agora, se mantm inerte.
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5# COMPORTAMENTO 1.7.15

     5#1 UM DEPSITO DE ESTRANGEIROS EM CUMBICA
     5#2 VEXAME MUNDIAL
     5#3 ZUZU, MINHA ME

5#1 UM DEPSITO DE ESTRANGEIROS EM CUMBICA
ISTO tem acesso  sala do aeroporto de Guarulhos, em So Paulo, onde imigrantes passam dias confinados, submetidos a condies desumanas, alimentao insuficiente e com acesso restrito a informaes
Fabola Perez (fabiola.perez@istoe.com.br)

Nas ltimas semanas, entidades ligadas a direitos humanos tm denunciado as condies desumanas em que dezenas de estrangeiros ficam confinados numa sala conhecida como Conector, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em So Paulo. Distante da populosa rea de embarque e do glamour dos free shops, este ambiente est escondido no Terminal 3 do maior aeroporto do Pas. Em resposta, a Polcia Federal, responsvel pelo local, divulgou imagens do espao que enfraqueceriam as denncias. Nelas,  mostrado um ambiente quase confortvel, com sofs e cadeiras, onde pessoas conversam descontraidamente. No foi isso que ISTO encontrou na semana passada, quando visitou o Conector. Para quem entra l,  possvel sentir o cheiro forte desde o primeiro momento. Cobertores, vestes e pertences pessoais se amontoam nos cantos da sala. O desalento e a agonia marcam a expresso dos estrangeiros que habitam o espao. O fluxo de pessoas  intenso. Durante o perodo em que a reportagem esteve no local, cerca de uma hora, a Polcia Federal informou que trs imigrantes conseguiram o refgio e dois novos chegaram. O espao j chegou a abrigar 40 estrangeiros que foram impedidos de seguir viagem por terem sido avaliados como perfis migratrios suspeitos ou por apresentarem problemas na documentao. No Conector, a comunicao e o acesso  informao so difceis. A maior parte das pessoas vem de pases africanos e fala francs  alguns arriscam palavras em ingls.

VIDA REAL - Acima, foto feita pela reportagem na sala Conector mostra estrangeiros deitados sobre cobertores, em pssimas condies

O jovem Bah Thierno Madjou, de 24 anos, chegou da Guin no dia 19 de junho e ainda no havia sido ouvido pelos agentes da Polcia Federal at a tera-feira 23. Em francs, disse que se formou em Sociologia e veio visitar o irmo, Abdul Bah, que vive h um ano em Cascavel, no Paran. Madjou no pode entrar no Pas por problemas na documentao. Terminei a faculdade na capital Conacri e fazia estgio em um banco, mas depois do Ebola o pas ficou detonado, todo mundo desconfiava das pessoas e evitavam o contato, diz. Madjou tentou entrar no Brasil com visto de turista e no conseguiu. Ele no sabe onde est sua bagagem e passa os dias com uma mochila e um livro recostado prximo s janelas. Do lado de fora do Conector, na rea da Delegacia da Polcia Federal, o irmo tenta contato por telefone, agoniado. Ele explica que Madjou possua o visto, dinheiro, e uma reserva de hotel. Os imigrantes so abandonados no Conector sem assistncia jurdica, por tempo indeterminado at que consigam verbalizar um pedido de refgio, afirma Daniel Chiaretti, defensor pblico federal. Eles ficam apenas com a roupa do corpo, sem contato com a famlia e em condies de extrema vulnerabilidade.

Podem ficar detidos na sala imigrantes que tem o Brasil como destino final e aqueles que fazem apenas conexo no Pas, mas so barrados pelas companhias areas no segundo voo. As empresas afirmam que alguns no possuem perfil migratrio e decidem no embarc-los, diz Chiaretti. Ao deixar essas pessoas somente nas mos na Polcia Federal, podemos colocar em risco o direito de proteo aos potenciais solicitantes de refgio, afirma Camila Asano, coordenadora de Poltica Externa da Conectas. Seria necessrio o acesso a outros rgos do Estado, como a Defensoria Pblica da Unio. Segundo entidades de direitos humanos, muitos estrangeiros que ficam no espao temem ser enviados de volta ao pas de origem e desconhecem as leis de refgio brasileiras. Eles sentem dificuldade para receber as informaes do aeroporto e da Polcia, diz Eliza Donda, advogada da Misso Paz. De acordo com ela, h relatos de imigrantes que tentaram solicitar o protocolo de refgio para a polcia, mas no foram atendidos. Eles se sentem rebaixados, sem saber por que esto detidos, afirma.

Para o delegado titular da Delegacia de Polcia Federal no Aeroporto de Guarulhos, Wagner Castilho, organizaes de trfico humano usam o Brasil como rota entre a frica e os Estados Unidos. Muitas dessas pessoas so vtimas de coiotes e usam a lei brasileira de refgio como um plano B para ficar no Pas, diz. Segundo o delegado, a Polcia Federal no pode induzir o pedido de refgio, mas uma equipe formada por trs agentes monitora o Conector para identificar os solicitantes. No Brasil, vigoram duas leis, que incidem sobre essa populao, consideradas contraditrias por especialistas. A Lei do Refgio, de 1997, prev proteo a qualquer imigrante que chega ao Pas, sem necessidade de documentos especficos. Por outro lado, o Estatuto do Estrangeiro, de 1979, remete o imigrante ao controle Polcia Federal.  um resqucio da ditadura na qual a migrao  vista como ameaa  soberania e o Conector  um das consequncias da falta de uma poltica nacional de imigrao, diz Cleyton Borges, coordenador do Centro de Referencia e Acolhida para Imigrantes (CRAE). Em janeiro deste ano, um termo de cooperao tcnica foi assinado pelo Ministrio Pblico Federal, pela Secretaria Nacional de Justia e Defensoria Pblica da Unio para melhorar o atendimento aos estrangeiros que chegam ao aeroporto.


5#2 VEXAME MUNDIAL
Com a quarta maior populao carcerria do mundo, Pas no consegue diminuir a taxa de aprisionamento, que cresceu 33% nos ltimos seis anos, e expe as mazelas de seus presdios
Fabola Perez e Camila Brandalise

Um levantamento realizado pelo Departamento Penitencirio Nacional, rgo ligado ao Ministrio da Justia, revelou que o Brasil possui a quarta maior populao carcerria do mundo, ndice que expe as mazelas de seus presdios. Na pesquisa, divulgada na tera-feira 23, o Brasil est atrs apenas de Estados Unidos, China e Rssia. O nmero de presos  muito superior s 377 mil vagas do sistema penitencirio e o dficit  de 231 mil. Um espao concebido para custodiar 10 pessoas prende 16 indivduos. No Brasil existe a cultura do encarceramento, embora existam medidas cautelares, os juzes sempre preferem as prises, disse  ISTO o ministro da Justia, Jos Eduardo Cardozo. Alm do problema da superlotao, as penitencirias so escolas de criminalidade em que pequenos delinquentes so cooptados por chefes de grandes organizaes. Juristas afirmam que cerca de 70% das pessoas que passam pelo sistema prisional reincidem, enquanto dados divulgados pela Fundao Casa apontam que o ndice de reincidncia de jovens infratores  de 15%. Entre 2000 e 2014, a taxa de encarceramento aumentou 119%. A projeo para os prximos anos  sombria: caso mantenha esse ritmo, em 2022 a populao de detidos no Brasil ultrapassar a marca de um milho de indivduos.

RAIO-X - Superpopulao, condies precrias de infraestrutura e sade, alta taxa de reincidncia e violncia: retrato dos presdios brasileiros

Um dos maiores problemas do sistema prisional  o elevado nmero de pessoas privadas de liberdade em regime provisrio. A pesquisa revelou que quatro entre dez presos ainda no foram julgados. Para a advogada da Comisso de Poltica Criminal e Penitenciria da Ordem dos Advogados de So Paulo, Adriana de Melo Nunes Martorelli, a emisso da pena  morosa. A Justia lana no crcere pessoas que cumprem pena sem terem sido julgadas e ficam na priso um tempo maior do que deveriam, afirma. Fatores como esses contribuem para a superlotao. Para a coordenadora do Centro de Estudos de Segurana e Cidadania da Universidade Cndido Mendes e ex-diretora do sistema penitencirio do Rio de Janeiro, Julita Lemgruber, o aumento da populao carcerria est relacionado ao mau funcionamento da Justia criminal. Fizemos pesquisas mostrando que dois em cada trs presos no recebem pena privativa de liberdade ao final do processo. Ou seja, muitos foram mantidos ilegalmente, diz.

Ao invs de combater a criminalidade, o uso excessivo da priso provisria pode endossar o aumento da violncia. O sujeito que passa pela deteno pela primeira vez ser estigmatizado, ter dificuldades para arrumar emprego e de se reintegrar  sociedade, afirma Renato de Vitto, diretor do Departamento Penitencirio Nacional do Ministrio da Justia.  um remdio que est matando pacientes. No Pas, faltam polticas que enxerguem as punies alm do sistema prisional. Segundo dados do Depen, em 2012 foram investidos R$ 11 milhes em penas alternativas, enquanto que para a rea de engenharia e arquitetura de presdios foram destinados R$ 361 milhes. As penas alternativas so negligenciadas no Brasil, afirma Ivan Marques, diretor executivo do Instituto Sou da Paz. O ndice de reincidncia de uma pessoa que cumpre medida alternativa  muito menor do que aqueles que cumprem pena no sistema prisional, diz o especialista. 

Quando os presos prestam servios  sociedade, a ressocializao tende a ser maior. Mas a prestao precisa ser revestida de um carter pblico, para que a comunidade perceba que, alm de til, tambm ajuda o sujeito que cometeu um crime, afirma Julita Lemgruber. O gravssimo quadro apontado pelo Departamento Penitencirio Nacional mostra que, na questo da segurana pblica, devem ser estabelecidas prioridades. Aprovada para crimes graves na Cmara dos Deputados, a Proposta de Emenda Constitucional que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos pode elevar os indicadores j negativos. No cabe mais abrir a porta do sistema prisional e jogar a populao jovem num ambiente catico, diz De Vitto, do Depen. Segundo o ministro da Justia, a deciso trar consequncias que se estendero por dcadas. Ser o maior caos no sistema prisional que j tivemos na nossa histria, diz.


5#3 ZUZU, MINHA ME
Para marcar os 40 anos da morte da estilista, a colunista Hildegard Angel prepara uma pea teatral que comeou a ser escrita durante a ditadura militar sobre sua trgica histrica familiar
Eliane Lobato (elianelobato@istoe.com.br)

O choro da jornalista e colunista carioca Hildegard Angel, 65 anos, era um gemido baixinho, mas to intenso que parecia ecoar por toda a cobertura triplex em que ela mora, de frente para a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Por duas horas, ela falou  ISTO sobre a pea e o livro que lanar no ano que vem para marcar os 40 anos da morte  ou melhor, do assassinato como faz questo de frisar  de sua me, a estilista Zuzu Angel (1921-1976). A ditadura brasileira mudou a histria de Hildegard. Em 1971, seu irmo, o militante Stuart (1946-1971) foi preso, torturado e morto por militares da Aeronutica. Seis anos depois, foi a vez de sua me morrer em um acidente de carro que, segundo comisses que apuram os crimes cometidos naquele perodo, pode ter sido provocado por agentes da ditadura. Tudo estar na pea, cujo ttulo provisrio  Zuzu - Meu modo de morrer, nome de um livro que sua me queria escrever, mas no teve tempo. O espetculo costura monlogos que a colunista comeou a fazer nos anos de chumbo, mas que s agora conseguiu enfrentar e dar forma dramatrgica.

A protagonista, ainda no definida, ser uma mistura de Medeia, a me limtrofe da tragdia grega de Eurpedes (431 a.C), e da estilista francesa Coco Chanel (1883-1971). Por mais estranho que parea, Zuzu conjugou esses extremos. Rica, ela usou o luxo como arma no combate  ditadura depois que seu filho desapareceu. O ponto alto dessa combinao de moda e guerrilha foi um desfile-protesto realizado em Nova York, em 1971, no qual os vestidos eram decorados com tanques de guerra, quepes militares, anjos e canhes. Foi por atitudes corajosas e ousadas como essa que Zuzu passou a ser investigada, seguida e ameaada. No ser surpresa se a pea for dirigida pelo diretor Aderbal Freire-Filho, que era amigo de Zuzu e tambm atravessou os anos de chumbo.

Hildegard relembra a tortura diria vivida pela famlia. ramos seguidos, recebamos telefonemas estranhos, andvamos pelo meio da rua. A jornalista afirma que tentava no passar os dias mergulhada no medo para no desmoronar. Nos eventos sociais, quando pessoas criticavam os terroristas, eu saa para outra direo, no contestava. Eu sabia que essa era a minha sobrevivncia porque havia uma sentena de morte. Eu era a irm do Stuart, diz. A carreira de atriz, depois de atuar em vrias peas e alguns filmes, foi abandonada tambm por temor. Quando mame morreu daquela maneira assustadora, achei que era a hora de parar. Eu teria que estar sempre vigilante e, no teatro, ficaria muito desprotegida. Eu temia pela minha vida, diz.

Nas paredes e nos mveis de uma sala do belo apartamento, h vrias fotos e quadros do irmo e da me. Uma tela, pintada por Glauco Rodrigues e dada pela atriz Tonia Carrero, retrata Stuart como So Sebastio, sangrando devido a flechadas no corpo. No h possibilidade de ela passar um dia sem lembrar deles, confessa. Nem Hilde quer isso. Ao contrrio, seu objetivo  no deixar que a trgica histria familiar seja esquecida. Eu sobrevivi para contar, afirma. No ano que vem, a jornalista inaugura a Casa Zuzu Angel, no bairro carioca da Tijuca, um centro de memria da moda do Brasil, como descreve. Ao longo das dcadas, ela j perdeu a conta do nmero de exposies realizadas, monumentos inaugurados, palestras dadas, homenagens prestadas e recebidas  me e ao irmo.

Sabia que o Stuart foi o primeiro desaparecido poltico a ter um logradouro pblico com o seu nome? Pedi que fosse na mesma Ilha do Governador onde ele foi assassinado. Hoje,  nome de uma praa linda l. Ainda assim, Hilde se diz impressionada com o zero de informao que muitos brasileiros tm sobre este passado, especialmente a gerao de at 40 anos. Agora, tem gente na rua pedindo a volta da ditadura. No sabem como foi! Para ela, os eventos culturais  que recontam e mostram o terror que foi aquela poca sem direitos, sem liberdade, de tortura e morte. Se tudo der certo, Zuzu - Meu modo de morrer entrar em cartaz no dia 26 de abril do ano que vem, quando sero arredondadas as quatro dcadas da morte da estilista. A mame fazia os protestos atravs dos vestidos; eu consegui fazer poltica atravs das purpurinas do colunismo social, diz Hilde, que trabalhou dcadas no jornal O Globo e no Jornal do Brasil, cuja verso impressa foi extinta, e hoje mantm um blog que leva o seu nome.
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6# MEDICINA E BEM-ESTAR 1.7.15

     6#1 O PODER DAS BACTRIAS
     6#2 REMDIO PARA O VITILIGO

6#1 O PODER DAS BACTRIAS
Novas pesquisas confirmam a influncia dos microorganismos em processos importantes, como a proteo cardiovascular e o desenvolvimento cerebral 
Cilene Pereira (cilene@istoe.com.br)

As bactrias ajudam a emagrecer, a tratar a diabetes, esto associadas ao desencadeamento da depresso e da doena de Parkinson. Estas so algumas das descobertas da cincia a respeito da importncia destes microorganismos para a sade. Boa parte do que h de mais novo sobre o tema est reunida no livro O discreto charme do intestino, tudo sobre um rgo maravilhoso, da mdica alem Giulia Enders. A obra acaba de ser lanada no Brasil. Na Alemanha, tornou-se um best seller, com 1,5 milho de exemplares vendidos de 2014 at agora.

Giulia se interessou pelo assunto depois de pesquisar sobre o rgo e se surpreender com seu envolvimento  e das bactrias nele contidas - em processos fundamentais do organismo. Fiquei surpresa em saber que ele  responsvel por tantas coisas. Est envolvido no humor, no funcionamento do sistema imunolgico e nos hormnios, por exemplo, disse a mdica, que faz doutorado no Instituto de Microbiologia e Higiene Hospitalar de Frankfurt.

As evidncias da importncia do intestino e de suas bactrias ganharam flego a partir de 2007, quando o Instituto Nacional de Sade dos Estados Unidos iniciou o projeto Microbioma Humano, que mapear todas as bactrias do corpo. De l para c, as informaes no param de crescer. S na semana passada, foram divulgadas pesquisas sobre a influncia da flora intestinal no surgimento da Doena de Parkinson, para a proteo cardiovascular e no desenvolvimento cerebral das crianas.

O trabalho sobre o Parkinson  da Universidade de Helsinki, na Finlndia, e investiga de que maneira as bactrias intestinais podem interferir. Considerando o conhecimento sobre as anormalidades gastrointestinais observadas nos pacientes e a vasta interao da flora intestinal com o corpo,  mandatrio explorar de que forma as bactrias esto envolvidas nesta doena, disse Filip Scheperjans, autor da pesquisa.

O tema das bactrias e a diminuio de risco cardiovascular foi explorado pela Universidade de Paris. A relao  conhecida mas os cientistas adicionaram a informao de que a bactria Akkermansia muciniphila est associada a baixos nveis de gordura e de acar no sangue, duas condies que reduzem a chance de ocorrncia de infarto e de acidente vascular cerebral.

Da Universidade da Pensilvnia, nos Estados Unidos, veio a revelao de que a flora bacteriana presente na vagina de gestantes estressadas  capaz de provocar alteraes na flora intestinal dos bebs. Eles tm contato com os microorganismos ao passarem pelo canal vaginal durante o nascimento e acabam adquirindo microorganismos que podem prejudicar seu desenvolvimento cerebral.  


6#2 REMDIO PARA O VITILIGO
Medicao usada para artrite reumatide restaura a cor da pele em paciente com a doena

Cientistas da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, anunciaram na ltima semana a restaurao da cor da pele em uma paciente com vitiligo  doena caracterizada pelo surgimento de manchas brancas na pele  a partir do uso de um remdio utilizado contra artrite reumatide.  a primeira vez que um medicamento mostra-se eficaz contra a enfermidade, responsvel, muitas vezes, por um efeito psicolgico devastador. Isto pode revolucionar o tratamento desta terrvel doena, disse  ISTO o dermatologista Brett King, coordenador da experincia.

SEM MARCA - As manchas brancas sumiram aps cinco meses de uso do remdio

O medicamento testado  o tofacitinibe (princpio ativo) e faz parte da classe de medicaes chamada de inibidores da janus kinase (uma famlia de enzimas). No ano passado, a mesma equipe de Yale anunciou que o remdio tinha sido eficiente contra a perda de cabelo causada pela doena alopecia areata.

A paciente com vitiligo, uma mulher de 53 anos, apresentava manchas brancas na face, mos e em vrios outros pontos do corpo. Com dois meses de tratamento, houve a pigmentao parcial das reas atingidas em seu rosto, braos e mos  regies nas quais as manchas mais a incomodavam. Depois de cinco meses, os pontos brancos na face e mos praticamente desapareceram e apenas alguns poucos pontos podiam ser vistos espalhados pelo resto do corpo. E o remdio no causou qualquer efeito colateral.

As pesquisas iro continuar. Um dos objetivos  confirmar a eficcia e segurana do remdio em mais pacientes com vitiligo. Outra meta  esclarecer melhor de que maneira a droga funciona. Sabemos que ela bloqueia a mensagem que perpetua a perda da cor nas clulas da pele, explicou King. 
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7# ECONOMIA E NEGCIOS 1.7.15

COMO REDUZIR SUAS CONTAS
Para no perder clientes em tempos de crise, as empresas esto dispostas a renegociar assinatura de TV a cabo, telefone celular e at tarifas bancrias
por Ludmilla Amaral

Quantas vezes voc recebeu uma ligao telefnica com uma oferta imperdvel de TV a cabo? Ou de uma operadora de celular? Voc j parou para analisar as tarifas cobradas pelas instituies financeiras? Ser que usa tudo o que contratou? Os valores podem parecer baixos, mas, somados, pesam no oramento. A boa notcia  que d para renegociar quase tudo. O primeiro passo  colocar as despesas do papel. Quatro em cada dez consumidores no se consideram organizados financeiramente, revelou uma pesquisa do Servio de Proteo ao Crdito (SPC) em janeiro deste ano. Ns devemos olhar dentro da nossa famlia e ver at onde esses produtos agregam valor ou no, diz Reinaldo Domingos, educador financeiro da consultoria Dsop. Em tempos de crise, as operadoras esto com receio de perder clientes. Trata-se, portanto, de um timo momento para negociar contratos de fidelidade e reduzir taxas sem pagar multa. Teoricamente, elas estaro dispostas a fazer qualquer negociao, afirma Jos Vignoli, do SPC Brasil.
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8# MUNDO 1.7.15

Civilizao sequestrada
Estado Islmico planta bombas sob as runas da cidade milenar de Palmira, ameaando um tesouro arqueolgico que resistiu aos domnios de diversos imprios da Antiguidade
Raul Montenegro (raul.montenegro@istoe.com.br)

Surgida em 2.000 A.C., a cidade de Palmira, na regio central da Sria, j viveu cercos que marcaram o domnio de diversos imprios da Antiguidade. Desde os tempos romanos, ela conserva praticamente intactas as colunas clssicas dos monumentos do perodo. Tudo pode mudar sob o cetro da mais nova autoridade da regio: o Estado Islmico. Alm de torturar e assassinar inimigos, a faco radical que tem perpetrado atrocidades no Oriente Mdio decidiu agora sequestrar uma civilizao inteira. O caso foi revelado no domingo 21 pelo Observatrio Srio para Direitos Humanos. Segundo a denncia, o EI plantou, sob as runas, armadilhas explosivas e minas terrestres. Algumas detonaes foram feitas, destroando um precioso patrimnio. Por ora, permanece incerto se o grupo pretende mesmo devastar o lugar. A cidade  refm nas mos deles, disse Maamoun Abdulkarim diretor-geral de Antiguidades e Museus da Sria. A situao  perigosa.

DESTRUIO - Runas romanas em Palmira, minadas pelo Estado Islmico (acima). Radicais explodem prdio na cidade sria (abaixo)

Na mesma semana em que o Estado Islmico divulgou pela internet um vdeo que mostrava presos sendo afogados, os extremistas lanaram pelos ares dois mausolus que ficavam em Palmira, mas fora do stio romano minado. Um deles pertencia a um descendente de Maom. So perdas irreparveis, destrudas para sempre, afirma Mrcio Scalercio, professor de relaes internacionais da Pontifcia Universidade Catlica do Rio. A cidade sitiada  considerada patrimnio mundial pela Unesco, organizao ligada s Naes Unidas. Ela despontou como rota comercial e suspeita-se que tenha sido fortificada pelo rei bblico Salomo. Sua trajetria  marcada pelo controle de bizantinos, rabes, mamelucos e otomanos. As esplendorosas construes tiveram forte influncia romana e persa. H ali uma sobreposio de povos, um caldeiro cultural.  um enorme prejuzo para entender as relaes entre o Ocidente e o Oriente, diz Vagner Porto, professor do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de So Paulo.

O Estado Islmico acabou para sempre com diversas esttuas em museus de Mossul, alm de outras edificaes histricas no Iraque (leia quadro). A destruio da arquitetura milenar  especialmente preocupante porque as estruturas ainda no haviam sido estudadas em profundidade. O grupo ocupa ainda 4,5 mil stios arqueolgicos na Sria, com 90% dos artefatos culturais do pas situados em reas sob conflito, de acordo com a organizao independente Financial Action Task Force. As barbries praticadas pela faco possuem razes no wahhabismo, uma vertente do islamismo que  contra a adorao divina por meio de cones ou templos. Vale lembrar que a iconoclastia tambm  professada por muitos cristos e pela Al Qaeda e o Taliban, que em 2001 dinamitou no Afeganisto as maiores esttuas de Buda do mundo, de at 60 metros.

Como acontece com os espetculos mrbidos filmados e mostrados ao planeta pela web, o Estado Islmico coloca abaixo tesouros arqueolgicos para fazer propaganda de seu prprio poderio. Os alvos desses anncios so a comunidade internacional ocidental, que se ope aos extremistas, e os potenciais inimigos em outros pases rabes. Com essas aes, os prprios habitantes das reas dominadas so desencorajados a enfrentar os rebeldes por verem com os prprios olhos a aplicao dos princpios radicais da lei islmica que a faco ardorosamente defende.

Ao se apropriar de um tesouro arqueolgico, o Estado Islmico est em busca tambm de dinheiro. Se por um lado o grupo elimina cones religiosos, por outro trafica pequenos artefatos no mercado negro, usando os recursos para financiar a compra de armas, veculos e provises para o seu exrcito. Depois de invadir o esconderijo de um lder insurgente em 2014, soldados iraquianos descobriram mais de 160 discos de memria com detalhes de suas finanas. Somente numa regio da Sria, os extremistas levantaram US$ 36 milhes em atividades que incluam o contrabando arqueolgico. Esse dinheiro vai ajudar a manter Palmira sequestrada por um imprio mais obscurantista do que aqueles que a dominaram milhares de anos atrs.
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9# TECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE 1.7.15

A PIRMIDE MARCIANA
Rocha de formato peculiar encontrada por rob da Nasa na superfcie do Planeta Vermelho agua a imaginao dos tericos da vida extraterrestre

A pirmide  uma das formas geomtricas mais reconhecidas do mundo. Diferentes civilizaes, incluindo Maias, Astecas e Egpcios, construram monumentos de formato piramidal para servir como tumbas, templos ou at mesmo observatrios astronmicos. Por isso, quando um grupo de estudiosos avistou uma pedra de formato peculiar na superfcie de Marte, em um vdeo divulgado pela agncia espacial americana (Nasa), na semana passada, a imaginao dos que buscam sinais de vida fora da Terra foi s alturas. Seria a rocha evidncia de uma construo planejada por seres inteligentes?

VISO - Foto tirada pelo rob Curiosity, que j est h trs anos explorando Marte

Os cientistas at agora descartam essa ideia. A pirmide encontrada pelo rob Curiosity tem, de acordo com estimativas de pesquisadores, o tamanho de um carro popular. Seu formato, apesar de raro, no  indito na histria da explorao de Marte. Oficialmente, a Nasa no se pronunciou sobre o assunto. No entanto, um dos cientistas da misso disse  imprensa americana que tudo no passa de uma coincidncia. O olho humano  bom em reconhecer formatos familiares em objetos aleatrios, diz Jim Bell, que tambm  professor de cincia planetria na Universidade do Arizona.

Durante os bilhes de anos de histria do Planeta Vermelho, o choque de asteroides e os ventos ajudaram a moldar infinitos ngulos nas pedras da superfcie.  possvel, portanto, que algumas dessas rochas se assemelhem a pirmides. At que novos estudos sejam realizados, os cientistas tambm tratam o caso como fizeram com a face de Marte, capturada pela sonda Viking em 1976, que revelou uma montanha cuja poro superior parecia se assemelhar a um rosto de formato humanoide. Fotografias de melhor resoluo tiradas dcadas depois acabaram com o mito. Enquanto isso, o Curiosity, prestes a completar trs anos no planeta, continua a fazer cincia.
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10# ESPECIAL 1.7.15

MUITO ALM DO LUCRO
ISTO e Planeta abrem inscries para a segunda edio do prmio As Empresas Mais Conscientes do Brasil. Para elas, a rentabilidade financeira  apenas um pilar do sucesso

Comeam na segunda-feira 29 as inscries para o Prmio ISTO As Empresas Mais Conscientes do Brasil 2015. Idealizada para reconhecer as companhias que, alm do lucro, miram tambm o impacto positivo que podem causar para a comunidade ao redor, o meio ambiente e a economia, a premiao contempla empresas de pequeno, mdio e grande porte de todos os ramos de atividade. O capitalismo consciente demonstra que o lucro associado ao compromisso com a sociedade ajuda a construir as marcas que vo liderar os negcios no futuro, afirma Caco Alzugaray, presidente-executivo da Editora Trs, que promove o evento pela segunda vez. No ano passado, foram mais de 150 companhias inscritas, e a Unilever saiu como grande vencedora. Entre as novidades deste ano est a incluso da categoria startups. Nela, podem concorrer empresas em estgio inicial, com at um ano de operao e faturamento lquido inferior a R$ 6 milhes em 2014. Os candidatos podem se cadastrar pelo site www.empresasmaisconscientes.com.br

VENCEDOR - Fernando Fernandes, presidente da Unilever no Brasil, campe geral da edio de 2014, recebe o prmio das mos de Caco Alzugaray, presidente-executivo da Editora Trs

Seguindo a metodologia da organizao americana B Lab, representada no Brasil pelo Sistema B, a premiao analisa cinco critrios: Governana, Modelo de Negcios, Relaes com os Funcionrios, Relaes com a Comunidade e Meio Ambiente. Sero, no total, 20 premiados. Neste ano, o questionrio ser mais enxuto e simplificado, mas as grandes empresas tero seus relatrios avaliados tambm pela consultoria Report Sustentabilidade e podero receber pontuao extra por transparncia, confiabilidade e assertividade. Os finalistas passaro por uma Comisso Julgadora, formada por especialistas nos temas, e sero anunciados em 25 de agosto durante o Sustainable Brands, no Rio de Janeiro. O perodo de inscries termina em 10 de agosto e a cerimnia de premiao acontecer em So Paulo, no fim de outubro, em data a ser definida.

COMO PARTICIPAR
As inscries comeam na segunda-feira 29 e terminam no dia 10 de agosto pelo site empresasmaisconscientes.com.br

Os finalistas sero anunciados no Sustainable Brands, no Rio de Janeiro, em 25 de agosto.
O prmio ser entregue numa cerimnia em So Paulo no fim de outubro
Sero, no total, 20 premiados em diversas categorias.
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11# CULTURA 1.7.15

     11#1 LIVROS - A ARTE DA DIFAMAO
     11#2 LIVROS - QUANDO O JORNAL ERA MODERNO
     11#3 EM CARTAZ  LIVROS - FLIP PARA COLORIR
     11#4 EM CARTAZ  TEATRO - O PAI DE DIPO
     11#5 EM CARTAZ  POESIA - ARNALDO ANTUNES VOLTA EM LIVRO
     11#6 EM CARTAZ  MSICA - BOM, DANANTE E DE GRAA
     11#7 EM CARTAZ  EXPOSIO - PARA VER CAYMMI
     11#8 EM CARTAZ  AGENDA - RISADARIA/MINHA/RIO
     11#9 ARTES VISUAIS - DAMA CONCRETA
     11#10 ARTES VISUAIS  ROTEIROS - DA ALIENAO  LUCIDEZ

11#1 LIVROS - A ARTE DA DIFAMAO 
Chega ao Brasil romance de Umberto Eco que trata com ironia a participao da imprensa na Operao Mos Limpas - a cruzada anticorrupo que inspirou a brasileira Lava Jato
Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)

No momento em que o Brasil assiste  Operao Lava Jato colocar atrs das grades figures considerados intocveis, sob a acusao de corrupo, chega ao Brasil o romance de Umberto Eco ambientado na cruzada que inspirou o juiz Sergio Moro, a Mani Pulite, ou Operao Mos Limpas, o maior desmanche de um esquema de crime organizado j visto na Europa. Primeira narrativa do autor com pano de fundo contemporneo, Nmero Zero parte da proposta recebida por Coronna, um ghost writer sem emprego, para escrever um livro sobre a experincia de um jornal destinado a produzir apenas edies piloto, sem nunca chegar s mos de qualquer leitor alm de seu dono.

CONTEMPORNEO - O semilogo Umberto Eco assina, pela primeira vez, uma fico ambientada na atualidade

 o incio dos anos 1990 e Coronna, assim, muda-se para Milo e passa a integrar a equipe da redao do peridico Amanh como um diretor de redao que, perante os colegas, tem a funo de uniformizar os textos de reprteres e editores. Seu contratante, um jornalista sem qualidades chamado Simei, informa que o dono, um certo comendador Vimecarte deseja com o projeto fazer com que seus inimigos fiquem sabendo da produo de reportagens e artigos que possam difam-los ou destruir seus negcios escusos.

Vimecarte, que no aparece na trama,  um empresrio com pretenses polticas, que dirige a instituio Pio Alberto Trivulzio em Milo. Na verdade, ele  a encarnao do engenheiro Mario Chiesa, pr-candidato  prefeitura milanesa em 1992 que dirigia a Pio Alberto Trivulzio. Acusado de cobrar propina milionria em troca do favorecimento na escolha de uma firma de limpeza para a instituio, ele foi preso e, da cadeia, delatou outros envolvidos no esquema de corrupo que a Itlia estava mergulhada, deflagrando, assim, a Operao Mos Limpas, que, em dois anos, emitiu 2.993 mandados de priso e colocou 6.059 pessoas sob investigao (872 empresrios, 1.978 administradores e 438 parlamentares, quatros deles, ex-primeiros-ministros), alm de levar ao suicdio dez acusados pelo juiz Di Pietro, o Moro italiano.

O livro se passa nos momentos que antecederam o incio das prises, mostrando a preparao das edies do Amanh. E a Umberto Eco desfia sua ironia sobre trabalho da imprensa, embora no lanamento italiano do livro, tenha feito questo de ressalvar: S parte da imprensa, aquela que faz o papel de mquina de lama. A mquina do livro funciona assim: os reprteres saem s ruas para buscar alguma histria que deponha contra algum. As orientaes so sempre insinuar e se preparar para o desmentido. Os desmentidos devem ser publicados com respostas que, tambm por meio de insinuaes, tirem o crdito e a moral de quem quer que seja que tente desmentir o peridico. Um jornal no  feito por notcias, um jornal faz notcias, ensina Simei  sua equipe, que, com exceo de Coronna, no imagina estar trabalhando em um noticirio que nuca ser publicado.

No lanamento italiano, o semilogo foi perguntado se Vimecarte era uma representao de Silvio Berlusconi, ex-primeiro ministro da Itlia e magnata das comunicaes que na quarta-feira 24 teve a priso pedida por um Tribunal de Npoles por tentativa de suborno. Eco respondeu: A Itlia est cheia de Vimecartes.


11#2 LIVROS - QUANDO O JORNAL ERA MODERNO
Quatro volumes contam como Jlio Mesquita, fundador do 'Estado', fez de um dirio provinciano o maior e mais rentvel veculo impresso do Brasil
Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)

Filho de analfabetos do interior de So Paulo, Jlio Mesquita (1862-1927) comeou a vida com o orgulho de ser o nico integrante da famlia a conhecer as letras. Terminou seus dias em um quarto modesto de hotel na cidade natal, Campinas, tendo transformado um peridico provinciano num modelo de procedimentos e conduta que balizam a grande imprensa brasileira desde ento at os nossos dias, alm de ter erguido uma empresa que durante quatro dcadas cresceu 10,8% ao ano.

AUTOR-EDITOR - O jornalista Jorge Caldeira pesquisou, escreveu e agora lana por sua prpria editora, a Mameluco, a biografia "Julio Mesquita e Seu Tempo"

O que ocorreu entre os dois pontos dessa curva extraordinria o jornalista Jorge Caldeira conta nos quatro volumes que compem a caixa Jlio Mesquita e Seu Tempo, resultado de 15 anos de pesquisa sobre a vida e o trabalho do fundador do jornal O Estado de S. Paulo.

 bastante razovel pensar que as transformaes articuladas pelo patriarca da famlia Mesquita decorreram da evoluo histrica e tecnolgica brasileira. Afinal, ele viu chegar o telgrafo e a eletricidade e deixou com sua morte uma indstria de informao de alcance nacional e influncia planetria. Vilarejos se tornaram metrpoles, o trabalho artesanal se misturou com o da indstria, a cultura oral, com o Modernismo, diz o autor sobre o perodo coberto por sua biografia. Um dos grandes mritos do levantamento de Caldeira, porm,  mostrar que menos pela conformidade com sua poca e mais pelos momentos em se colocou contra a corrente  que o jornalista ajudou a escrever grandes captulos da histria brasileira do sculo XX. Caso do episdio do massacre em Canudos, que entraria para os livros como uma ao anti-republicana no fosse a deciso do jornal de mandar um reprter para o interior baiano, Euclides da Cunha, cuja reportagem depois republicou no clebre Os Sertes. O episdio, narrado no segundo livro da coleo, demonstra como uma reportagem no sculo XIX era capaz de redefinir o mapa poltico nacional e bater recorde de vendas na banca: 18 mil exemplares esgotados no primeiro dos 22 textos que o jornal veiculou entre 1897 e 1898.

EM PARTES - Vida de Jlio Mesquita se confunde coma modernizao a imprensa brasileira


11#3 EM CARTAZ  LIVROS - FLIP PARA COLORIR
Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)

A Festa Literria de Paraty (Flip) deste ano inaugura uma programao voltada ao projeto grfico de livros. No lugar de sua tradicional oficina literria, o evento vai oferecer um curso sobre a criao visual. A organizao confirmou a presena da holandesa Irma Boom, a mais importante designer de livros da atualidade, que, ao lado de Elaine Ramos, diretora de arte da editora Cosac Naify, vai ministrar aulas e participar de debates sobre esse aspecto do mercado literrio que a cada ano se torna mais importante no Brasil e no mundo. Entre os convidados deste ano  aqueles que do conta da poro menos colorida das publicaes  esto os escritores Roberto Saviano, Leonardo Padura, Eucana Ferraz e Marcelino Freire. A Flip comea na quarta-feira 1 e vai at o domingo 5.

+ 5 destaques da Flip
Roberto Saviano
 Escritor italiano jurado de morte pela mfia de seu pas fala de Gomorra

Mrio de Andrade
 Lanamento de Caf, livro inacabado e at agoraindito do pai do Modernismo

Richard Flanagan
Australiano que venceu o Booker Prize divide mesa com o queniano Ngugi wa Thiong

ANGU E CAOS
 Conversa entre o compositor Jorge Mautner e o escritor Marcelino Freire

So Paulo 
 Carlos Augusto Calil e Roberto Pompeu de Toledo, que acaba de lanarA Capital da Solido, falam sobre a cidade


11#4 EM CARTAZ  TEATRO - O PAI DE DIPO
Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)

Um tringulo que antecedeu o incesto mais recontado da histria  a relao do Rei dipo com sua me, Jocasta  d base ao novo espetculo do grupo Aquela Cia, Laio&Crsipo. Laio, que anos depois se tornaria pai de dipo,  acolhido em Frigia onde comea a receber educao de um preceptor to jovem quanto ele, Crsipo. O vnculo entre os dois, rompido pelo casamento de Laio com Jocasta, recebe um tratamento contemporneo ao tocar na questo homoafetiva.


11#5 EM CARTAZ  POESIA - ARNALDO ANTUNES VOLTA EM LIVRO
Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)

Herdeiro mais jovem e produtivo do concretismo, Arnaldo Antunes lana este ms Agora Aqui Ningum Precisa de Si, compilao de cinco anos de escritos, poemas visuais e fotografias. Mais que em seu ltimo volume de poesia (n.d.a., de 2010), aparecem em Agora... referncias-homenagem ao mais marginal dos concretistas, Paulo Leminski: ...tanto tempo se passou e ag/hora dia minuto/um sopro/um tsu/many days without you.


11#6 EM CARTAZ  MSICA - BOM, DANANTE E DE GRAA
Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)

Criadores de estilos distintos como Emicida, Anelis Assumpo, Pipo Pegoraro e Rockers Control juntaram-se em um projeto que reanimou o centro bomio de So Paulo e as pistas de dana de dentro e fora do Brasil. A banda Bixiga 70 nasceu no estdio Traquitana na famosa regio paulistana que d nome ao grupo. L acaba de lanar o seu terceiro lbum. Sofisticado, com forte influncia africana, o CD produzido pelo prprio grupo pode ser comprado ou baixado (de graa) no site www.bixiga70.com.br.


11#7 EM CARTAZ  EXPOSIO - PARA VER CAYMMI
por Helena Borges (helenaborges@istoe.com.br)

Dorival Caymmi  conhecido por composies que marcaram a histria da MPB. O que poucos sabem  que seu amor pela Bahia no foi expresso apenas em msica, mas tambm em trao e forma. Quem visitar a mostra Aos Olhos de Caymmi - Exposio de Canes Ilustradas, aberta ao pblico no Instituto Antnio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro, poder conhecer verses ilustradas de msicas como O que  que a baiana tem?, Joo Valento e Rainha do Mar.


11#8 EM CARTAZ  AGENDA - RISADARIA/MINHA/RIO
Confira os destaques da semana
Ana Weiss (ana.weiss@istoe.com.br)

Risadaria
 (Auditrio Ibirapuera,em So Paulo at 5/7)
Humoristas conhecidos da internet, como a Cia Barbixas de Humor, revezam-se no palco com stand ups e esquetes

Querida Dama
 (Nos cinemas, em todo o Pas)
Dirigido por Israel Orovitz, filme conta histria milionrio que descobre moradora em um imvel que recebe de herana

Rio: Primeiras Poses
 (Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro)
Mostra com cerca de 450 imagens de fotografias tiradas de pontos tursticos cariocas desde 1840


11#9 ARTES VISUAIS - DAMA CONCRETA
Exposio apresenta o impressionante espectro de investigaes e transformaes na obra de Judith Lauand em apenas nove anos de trabalho
Paula Alzugaray

JUDITH LAUAND: OS ANOS 50 E A CONSTRUO DA GEOMETRIA/Muba e IAC, SP/ at 25/7

Nem figurativa, nem geomtrica. Concreta! nica mulher do Grupo Ruptura (1952-1959), responsvel por reformar arte brasileira a partir dos preceitos da vida contempornea industrial, Judith Lauand intitulava a maior parte de suas obras simplesmente por Concretos ou Elementos, sempre numerados. A sistematizao do olhar dessa dama do Concretismo brasileiro, que no incio dos anos 1950 passa a enxergar a realidade em linhas, planos e vetores,  apresentada em Judith Lauand: os anos 50 e a construo da geometria, em cartaz no Museu das Belas Artes (Muba) e no Instituto de Arte Contempornea (IAC), em So Paulo.

Com curadoria de Celso Fioravante, a exposio se concentra no impressionante espectro de investigaes de formas, tcnicas e matrias a que Lauand se lana em apenas nove anos de trabalho.  notvel que a construo da geometria tenha acontecido to rpido. Se em 1950 Lauand realizava um comportado retrato do filho do barbeiro da cidade de Pontal, no interior paulista, onde nasceu em 1922, apenas dois anos depois ela desconstrua uma paisagem rural com vaquinha pastando, dissecando-a em ngulos geomtricos; e, em oito anos, havia reduzido completamente sua operao plstica a tringulos, losangos, octgonos, flechas, estrelas, cataventos.

A intensa atividade de Lauand  e dos grupos concerto e neoconcreto de So Paulo e do Rio  pode ser atribuda ao acelerado processo de industrializao do pas durante a dcada de 1950 e a sua repercusso direta no sistema artstico local. A Bienal de So Paulo, criada em 1951,  o mais significativos desses efeitos, irradiando  toda uma gerao. Como monitora da segunda edio da Bienal, em 1953, que ficou conhecida como a Bienal da Guernica, porque trouxe o mais importante trabalho de Pablo Picasso, Lauand travou contato direto com o artista Henry Moore e com obras de Paul Klee, Kokoschka, Mondrian, Calder, entre outros. A Bienal, assim como o ingresso no clube do Bolinha que era o Grupo Ruptura, contaram muitos pontos para a eficincia das suas operaes de reduo e geometrizao da forma. Mas poucos artistas de seu tempo chegaram to longe em to pouco tempo.

Com telas, gravuras, objetos de parede, cadernos, desenhos preparatrios, estudos, reprodues de jornais e farto material documental, a exposio  uma grata presena nos ambientes museolgicos de uma instituio pedaggica, a Belas Artes.


11#10 ARTES VISUAIS  ROTEIROS - DA ALIENAO  LUCIDEZ
HISTRIAS DA LOUCURA: DESENHOS DO JUQUERY/Museu de Arte de So Paulo (Masp), SP/ at 11/10
por Paula Alzugaray

Em sequncia ao projeto de oxigenar e dar visibilidade o acervo do Masp, a instituio inaugura um novo espao expositivo com uma mostra de 102 desenhos feitos por internos do Hospital Psiquitrico do Juquery.  a primeira vez que o conjunto  exposto em sua totalidade desde a doao, em 1974, pelo dr. Osrio Csar (1895-1979), ex-diretor da Escola Livre de Artes Plsticas do Hospital do Juquery e um dos pioneiros da prtica artstica com pacientes com doenas mentais no Brasil, ao lado da dra. Nise da Silveira (1905-1999), que trabalhou no Rio de Janeiro. Sua apresentao, portanto,  sintomtica no apenas das operaes de ressignificao a que todo o acervo do Masp est sendo submetido, mas especificamente da reviso e da valorizao de um campo da criatividade que estava obscurecido e marginalizado, e at recentemente era registrado no museu como arte dos alienados.

Adriano Pedrosa, curador da mostra e diretor artstico do Masp, aponta em texto do catlogo que as obras foram reclassificadas como arte do Brasil e que a exposio  o primeiro captulo de um projeto de longo prazo do museu denominado Histrias da Loucura. Neste prembulo, temos portanto uma amostra bastante animadora do que vir adiante. A mostra est composta por desenhos de 16 artistas, entre os quais, 42 de Albino Braz, o mais conhecido entre eles, por ter participado de uma exposio organizada pelo pintor francs Jean Dubuffet, em 1945, em Paris. Braz encanta com seu universo anmico, em que figuras mticas e circenses se embaralham promiscuamente nas composies, sem respeitar os limites das folhas de papel A4. Pedrosa chama ateno tambm para os esquemas geomtricos de Pedro Cornas, conhecido como O Estudioso (fotos), que em rigor construtivo de fato no fica nada a dever com as pesquisas dos artistas do Ruptura ou do Grupo Frente (leia texto ao lado).

Dado que a loucura e a arte moderna viveram ao longo do sculo XX casos notveis de flertes e de seduo, espera-se que os prximos captulos desta histria conduzida pela equipe do Masp tragam muitas surpresas, extravasando as margens da pgina que entendamos como alienao. PA  
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12# A SEMANA 1.7.15

por Antonio Carlos Prado e Elaine Ortiz 

"CRISTIANO ARAJO E O ABISMO CULTURAL DO BRASIL"
Morto, o cantor sertanejo Cristiano Arajo, que na semana passada perdeu a vida tragicamente aos 29 anos em um acidente de carro em Gois, tornou-se conhecido em todo o Brasil. Vivo, Cristiano era idolatrado pelos adeptos do gnero sertanejo universitrio, mas ao mesmo tempo transitava artisticamente como desconhecido de considervel parcela do pblico. Ele cumpriu nos ltimos anos a mdia de 23 shows por ms, lanou trs lbuns e trs DVDs, liderou o ranking dos mais ouvidos com 15 msicas (entre elas Bar Ber e Caso Indefinido) e realizou quatro turns internacionais. A sua pgina no Facebook apresentava sete milhes de seguidores, encostando em Bruno & Marrone. Mas, por outro lado, nas prprias redes sociais mensagens eram trocadas com internautas indagando quem era Cristiano Arajo. O seu falecimento mostrou que h um abismo cultural no Pas. Esse abismo demonstra que culturalmente h muitos Brasis no Brasil. O ruim  que esses tantos pases no se conhecem.


"A DERRADEIRA RENDIO DOS BRANCOS QUE ODEIAM E MATAM NEGROS"
Alguns locais do sul dos EUA comearam a fazer, na quinta-feira 25, o que foi sugerido pelo jornal Los Angeles Times aps o assassinato de nove negros numa igreja de Charleston, na Carolina do Sul. O crime foi cometido por um jovem branco, e o jornal props que fossem recolhidas as bandeiras confederadas, smbolos do racismo que ainda prepondera nessa regio 150 anos aps o final da Guerra Civil. Agora o que se v, para o bem civilizatrio, parece ser a rendio derradeira: 
O governador do Alabama, Robert Bentley, ordenou a remoo de bandeiras confederadas em espaos pblicos. 
O senador republicano do Mississipi Roger Wicker declarou que a bandeira confederada tem de ser levada para dentro de um museu
O procurador-geral do Kentucky, Jack Conway, exigiu a retirada da esttua do presidente da Confederao, Jefferson Davis, da sede do Capitlio estadual


"A ILUSO DA QUEDA DO DFICIT EXTERNO"
O dficit do Brasil em contas externas caiu em maio 57% se comparado ao mesmo ms no ano passado. O anncio foi feito na quarta-feira 24 pelo governo federal. Em uma rpida leitura a notcia pode parecer boa, j que se fala que o dficit caiu e ficou em US$ 3,4 bilhes. Parece mas no : a reduo deve-se  alta do dlar e dos juros, ao desemprego e  economia fraca de forma geral.


"O FIM DA CARREIRA CRIMINOSA DO "COMPANHEIRO RAINHA""
Jos Rainha Jnior, o ex-lder do MST que ganhava a vida fcil invadindo propriedade alheia, foi condenado na semana passada pela Justia Federal da cidade paulista de Presidente Prudente a 31 anos e cinco meses de priso. Os crimes que cometeu, segundo o Ministrio Pblico Federal, so: extorso, estelionato e formao de quadrilha, e esto estritamente ligados s invases que ele promovia  fica explicado assim porque se falou em ganhar a vida facilmente: Rainha usava trabalhadores rurais para sitiar propriedades e extorquir seus proprietrios. Mais: de acordo com a acusao, ele chantageou em R$ 70 mil empresas de agrotxicos, ameaando incendiar canaviais caso no lhe dessem o dinheiro.


"SILVIO BERLUSCONI, PRISO E PENSO"
A semana no foi de boas notcias para o ex-primeiro-ministro da Itlia Silvio Berlusconi. O Tribunal de Monza determinou na tera-feira 23 que ele pague penso mensal de 1,4 milho de euros  sua ex-mulher Veronica Lario  nesse caso, at vale o ditado que h males que vm para bem, j que numa primeira sentena o valor da penso fora fixado em 3 milhes de euros. A disputa judicial se desenrolava havia seis anos, desde que ganharam notoriedade as festas bunga bunga promovidas pelo ex-ministro com a presena de danarinas e prostitutas. Na quarta-feira 24 veio outra surpresa desagradvel: o Tribunal de Npoles pediu cinco anos de priso para Berlusconi devido  acusao de ele ter subornado um senador em 2006 na tentativa de promover manobras polticas que acelerariam a queda do governo de centroesquerda liderado por Romano Prodi.


"DE EXECUTIVOS A RUS"
Seis executivos de empresas envolvidas no cartel do metr de So Paulo se tornaram rus na Justia: Cesar Ponce de Leon (empresa Alstom), Telmo Giolito Porto (Tejofran), Adagir Abreu (MPE) e Wilson Dar, Maurcio Memria e David Lopes (Temoinsa). A denncia do Ministrio Pblico afirma que o crime de cartel se deu na reforma das Linhas 1 (Azul) e 3 (Verde) e na modernizao de 98 trens. As empresas teriam feito acordos para burlar licitao no governo do tucano Jos Serra (2008 e 2009). O valor total dos contratos chegou a R$ 1,75 bilho.


"NOVAS LIDERANAS E A DERROCADA DO "EXRCITO DE STDILE"
No momento em que o MST tem revelado pela Justia o verdadeiro comportamento daquele que foi um de seus principais chefes, v tambm despontar novas lideranas. Trata-se de Gilmar Mauro e Erivan Hilrio. Um deles suceder em breve Joo Pedro Stdile, desgastado junto a novos e antigos ativistas  ele afunda juntamente com a derrocada do PT, partido ao qual o MST se liga por cordo umbilical). Stdile  o comandante daquilo que Lula chama de exrcito de militantes e conclama a sair s ruas, insuflando a violncia, quando a populao quer se manifestar contra o PT.


"CRIME AO VIVO"
As imagens mostram o crime do PM Claudinei Francisco de Souza. Pilotando uma moto, ele perseguia na tera-feira 23, em So Paulo, dois suspeitos que fugiam aps roubarem esse veculo. A certa altura, o jovem que estava na garupa atira o capacete contra o PM, os dois suspeitos se desequilibram e caem. Claudinei se aproxima e, apesar da evidente rendio, dispara  queima roupa contra eles  e na sequncia apanha a arma de um deles e dispara duas vezes contra o cho para simular resistncia. A cena foi transmitida ao vivo por duas redes de televiso. A atitude de Claudinei exps o excesso de violncia da polcia brasileira, que entre 2009 e 2013 matou trs vezes mais que a dos EUA, em trs dcadas. Claudinei foi preso pela Secretaria de Segurana de So Paulo. Os jovens baleados (um com 16 anos, o outro com 17) continuavam internados na sexta-feira 26. Comprovado o abuso, o PM ser expulso da corporao e responder criminalmente, diz o secretrio Alexandre de Moraes.


"CONSUMO DE COCANA NO BRASIL  QUATRO VEZES MAIOR QUE MDIA MUNDIAL"
Um dado estarrecedor foi divulgado na sexta-feira 26 pelo Escritrio de Drogas e Crimes da ONU: o Brasil se transformou em um dos maiores mercados de cocana, superando os EUA e atingindo mais de quatro vezes a mdia mundial. Alm disso, o Pas se tornou o principal centro de distribuio da droga, enquanto houve reduo nos mercados americano e europeu. Na Amrica do Sul o consumo ainda est em expanso, e o nmero de usurios saltou de 1,8 milho de dependentes em 2010 para 3,3 milhes em 2012. Estima-se que 246 milhes de pessoas tenham feito uso de drogas ilcitas em 2013.


"A OFENSIVA DO TERROR"
A sexta-feira 26 ficou marcada como um dia em que o terror tomou conta do planeta, com atentados sangrentos e praticamente simultneos em trs pases. Na Frana, um homem foi encontrado decapitado em uma fbrica, e ao lado de seu corpo havia bandeiras com inscries islmicas. Na Tunsia, dezenas de turistas estrangeiros morreram num tiroteio que tomou conta de dois resorts de luxo. E, no Kuwait, um homem-bomba explodiu uma mesquita lotada  tudo indica que esses dois ltimos atentados tenham relao com o Estado Islmico (leia reportagem  pgina 68). Na tera-feira 23, um udio atribudo ao porta-voz do grupo extremista, Abu Mohammed al-Adnani, dava as boas vindas ao ms sagrado do Ramadan (comeou no dia 18 de junho) e convocava os jihadistas a transform-lo em perodo de calamidade para os infiis. A mensagem fazia referncia a mais ataques no Iraque, Sria e Lbia. Poucos esperavam que a calamidade chegasse ao ponto que chegou.


"DECAPITAO E EXPLOSES"
Um homem foi encontrado decapitado numa usina de gs em Saint-Quentin-Fallavier, prxima  cidade de Lyon e a cerca de 470 quilmetros de Paris. Ao lado do corpo havia uma bandeira com escritos islmicos. A vtima era gerente de uma empresa de transportes e, segundo agncias internacionais, seria o chefe do suspeito de praticar o atentado. O carro usado pelo terrorista, que j era investigado por radicalizao, tinha autorizao para entrar na fbrica. Um homem foi rendido por um bombeiro e acabou detido. No local registraram-se tambm exploses, e outras duas pessoas se feriram. No h dvida de que se trata de um ataque do terror, declarou o presidente do pas, Franois Hollande.


"ATAQUE CONTRA ORAES"
Uma mesquita xiita num bairro residencial da cidade do Kuwait, capital do pas homnimo, foi atacada por um homem-bomba, que levava explosivos escondidos num cinto. O atentado deixou pelo menos 25 vtimas e mais de 200 feridos. Testemunhas disseram s agncias internacionais que a exploso ocorreu perto da porta da mesquita logo aps a principal orao da sexta-feira para os muulmanos xiitas. Esse  o momento em que os templos costumam estar lotados, sobretudo durante o ms sagrado do Ramadan. Segundo um comunicado divulgado na internet, uma faco ligada ao Estado Islmico seria a responsvel pelo atentado. O mesmo grupo, que  sunita, tem orquestrado diversos ataques a mesquitas xiitas na Arbia Saudita nas ltimas semanas. Uma mensagem publicada no Twitter do Estado Islmico dizia que o alvo da sexta-feira 26 era um templo dos apstatas.  


"O DIA MAIS SANGRENTO"
At o incio da tarde da sexta-feira 26, pelo menos 28 pessoas, a maioria turistas britnicos e alemes, morreram nos atentados a dois resorts de luxo no balnerio de Sousse. O atirador apareceu na praia de bermuda com um fuzil Kalashnikov escondido sob o guarda-sol, entrou no primeiro hotel pela rea da piscina e comeou a disparar. Acredita-se que o suspeito seja um homem da cidade tunisiana de Kairouan, at ento desconhecido das autoridades. Ele acabou baleado e morto. Mais de 30 pessoas ficaram feridas. Entre as vtimas est uma mulher irlandesa ao redor dos 50 anos que passava frias com o marido. O Estado Islmico assumiu a autoria da ao terrorista. Em maro, radicais islmicos mataram turistas estrangeiros num atentado a um museu em Tunis, mas desde a revoluo de 2010, que derrubou o ditador Zine el Abidine Ben Ali e deu incio  Primavera rabe, a ltima sexta-feira foi o dia mais sangrento no pas.


"SUPREMA CORTE LEGALIZA O CASAMENTO GAY EM TODO O PAS"
 O amor vence. Foi com essa frase que o presidente dos EUA, Barack Obama, comemorou na internet a deciso da Suprema Corte que na sexta-feira 26 tornou constitucional em todo o pas o casamento de pessoas do mesmo sexo  a aprovao foi apertada, cinco votos a quatro. Casais de gays e lsbicas tm o direito de casar, como todas as outras pessoas. #Oamorvence, escreveu Obama. A pr-candidata pelo Partido Democrata e ex-secretria de Estado Hillary Clinton tambm festejou a vitria nas redes sociais  ela incorporou recentemente  sua campanha o smbolo gay do arco-ris nas pginas do Twitter e do Facebook. Antes de se tornar pr-candidata, Hillary j defendia o direito de autonomia dos Estados americanos em relao  essa questo, pois esse era o limite mximo constitucional. Agora, com a consolidao legal em todo o territrio americano, ela coerentemente comemorou o veredito da Suprema Corte.

